23:52 21 Janeiro 2020
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    Especialistas comentam a questão sobre o recente abate de um drone espião americano e a possibilidade de um conflito militar real entre EUA e Irã.

    De acordo com The New York Times, com referência a fontes na administração americana, a operação já estava em andamento em seus estágios iniciais quando foi cancelada. Os aviões já estavam no ar e os navios posicionados, mas nenhum míssil havia sido disparado quando a ordem de parar chegou, disse um alto funcionário, citado pela edição.

    'Concentração progressiva de forças'

    Na opinião de Karen Kwiatkowski, ex-conselheira do Departamento de Defesa dos EUA, os militares americanos estão concentrando forças no Oriente Médio para assegurar o transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, mas é improvável que estejam dispostos a iniciar uma guerra contra o Irã, que não conseguiriam vencer.

    "[O envio de tropas americanas] é parte de uma concentração progressiva de forças para ser vista como a preservação das linhas de transporte e do fluxo de petróleo na região [….] O Pentágono entendeu há muito tempo que nenhuma guerra terrestre ou aérea sustentada contra o Irã pode ser vencida ou é desejável", ressaltou Kwiatkowski.

    "A forma de agir do Pentágono, de uma forma estranha e conservadora, é colocar o maior número possível de tropas em um local seguro, o mais rapidamente possível, com um mínimo de publicidade, comentários públicos e risco de constrangimento", disse a ex-conselheira em relação ao envio de mais de 1.000 soldados para a região devido aos recentes ataques a petroleiros no golfo de Omã.

    Kwiatkowski também observou diferenças nos sinais enviados a Teerã por Trump e alguns de seus conselheiros.

    A ex-conselheira do Pentágono especulou que os movimentos dos EUA podem não visar o Irã em si, mas ser uma forma de a administração Trump permanecer relevante com os "antigos" aliados na região em termos de vendas de armas, prestígio e produção de petróleo e gás.

    "Trump não tem nenhuma ideia fundamental ou honesta sobre a razão por que o Irã é 'importante' para os EUA", finalizou.

    Plano de ação concreto

    Para o especialista independente e cientista político russo Andrei Suzdaltsev, os Estados Unidos estão simplesmente tentando intimidar o Irã.

    "Não há possibilidade de entrar em uma verdadeira guerra com o Irã. É claro que é possível derrotar a frota iraniana, que é pequena, já a invasão é simplesmente impossível […] Os EUA estão simplesmente […] tentando assustar o Irã, fazê-lo jogar pelas regras de Washington, pelo cenário americano no que respeita ao acordo nuclear", comentou Suzdaltsev ao serviço russo da Rádio Sputnik.

    Segundo o cientista político russo, o governo Trump ainda não foi capaz de decidir sobre um plano de ação concreto para Teerã.

    "O Irã é um grande país, um importante fornecedor de petróleo para o mercado mundial. E, é claro, a política de pressão, as histerias de 'atacar - não atacar, bombardear - não bombardear', tem um efeito boomerang sobre os EUA", complementa.

    Drone estratégico americano RQ-4B-40 Global Hawk
    © flickr.com / Dysanovic
    Drone estratégico americano RQ-4B-40 Global Hawk

    A tensão entre Washington e Teerã aumentou depois que a Guarda Revolucionária Islâmica derrubou um drone espião Global Hawk, que Teerã afirmou estar violando o espaço aéreo iraniano. Trump afirmou inicialmente que o Irã havia cometido "um grande erro", posteriormente afirmou que duvidava que a derrubada do drone fosse intencional.

    As opiniões expressas pelos especialistas neste artigo não refletem necessariamente as da Sputnik.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    guerra, Karen Kwiatkowski, Donald Trump, Irã, RQ-4 Global Hawk, drone
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