02:05 13 Dezembro 2019
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    Grupo de combate liderado pelo USS Abraham Lincoln

    Analista: China será principal beneficiado no caso de possível guerra entre EUA e Irã

    © AP Photo / Marinha dos EUA
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    O início de um conflito com o Irã poderia pôr em causa o estatuto internacional dos EUA, Washington não deve desperdiçar suas forças no Oriente Médio e tem de prestar mais atenção ao seu desafio principal – a disputa comercial com a China, afirma o analista Nathan Levine.

    Em seu artigo para o National Interest, Nathan Levine opina que a guerra comercial, que ganhou novo fôlego com o aumento de tarifas e ameaças entre as duas maiores economias globais, representa o maior desafio estratégico para Washington, porque Pequim é um concorrente muito mais forte que o Irã para os EUA. Entretanto, segundo o analista, alguns conselheiros do presidente Trump prestam mais atenção ao conflito com o Irã, sendo que uma guerra seria desastrosa por enfraquecer a posição geopolítica da América.

    "No momento em os EUA enfrentam seu maior desafio estratégico desde a Guerra Fria, se não de sempre, alguns membros da administração parecem totalmente distraídos, tocando os tambores da guerra por causa de uma ameaça muito menos relevante: o Irã", explicou Levine.

    Ele lembrou que, em meio ao agravamento da tensão com o Irã, nas últimas semanas os EUA aumentaram sua presença militar no Oriente Médio, enviando para lá um grupo de porta-aviões, bem como bombardeiros B-52. Segundo o analista, os EUA estão sendo levados à guerra pela "obsessão irracional com o Irã, que domina as mentes de alguns dos conselheiros mais próximos de Trump, principalmente o assessor de Segurança Nacional John Bolton e o secretário de Estado Mike Pompeo", porque, embora essa guerra possa ser vantajosa para alguns dos chamados aliados americanos no Oriente Médio, por exemplo, a Arábia Saudita, ela não trará benefícios para o estatuto global dos EUA.

    Se os EUA se envolverem em uma guerra com o Irã, Washington simplesmente desperdiçará suas forças, enquanto a China e a Rússia poderão se reforçar. Na melhor das hipóteses, um conflito curto seria um desastre de "poder suave" que afetaria o estatuto internacional dos EUA, afirnou o analista.

    "Entretanto, o mais provável é que o conflito se torne rapidamente um novo atoleiro como aconteceu no Iraque ou no Afeganistão", explicou ele. Para Levine, no caso de um conflito americano-iraniano, a Rússia e a China poderiam fornecer apoio material ao Irã, incluindo através da infraestrutura que está em construção como parte da iniciativa Um Cinturão, Uma Rota.

    "Deixando de lado todas as outras razões pelas quais a guerra no Oriente Médio poderia ser uma má ideia, tal conflito enfraqueceria desastrosamente a posição geopolítica dos EUA em relação à China no pior momento possível, gastando e diminuindo a força militar e econômica dos EUA, enquanto cada onça dessa força é necessária para enfrentar a China em meio ao seu rápido crescimento", disse ele.

    Agora mais do que nunca, o desejo de alguns políticos de mergulhar os EUA em mais uma operação militar no Oriente Médio é totalmente inconcebível. "Os EUA simplesmente não podem se permitir tal distração quando enfrentam o desafio esmagador de sua disputa com a China", sublinhou o autor do artigo.

    A tensão entre o Irã e os Estados Unidos aumentou desde maio de 2018, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixar o acordo nuclear iraniano. Em menos de um ano, Washington impôs várias rodadas de sanções contra a república islâmica, visando o sistema financeiro, transporte, forças armadas e outras esferas do país. Além disso, em maio de 2019 Washington enviou navios de guerra e bombardeiros estratégicos B-52 para o Oriente Médio com o objetivo de enviar "uma mensagem clara e inequívoca" a Teerã.

    O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, declarou que qualquer diálogo entre os EUA e o Irã é melhor do que a ausência de conversações.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    guerra comercial, porta-aviões, Rússia, China, EUA
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