14:57 23 Maio 2019
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    Analista: Trump pode reconhecer Cisjordânia como parte de Israel

    © AFP 2019 / GIL COHEN-MAGEN
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    Em resultado das eleições que decorreram em Israel em 9 de abril, Benjamin Netanyahu alcançou a vitória e na sequência foi apontado em 17 de abril como premiê do país. Em entrevista à Sputnik, o jornalista israelense Avigdor Eskin partilhou sua opinião sobre o que se pode esperar do gabinete de Netanyahu no futuro próximo.

    Avigdor Eskin é um analista e jornalista que previu a vitória de Netanyahu em novembro de 2018 e acha que Washington e Tel Aviv continuarão reforçando  a posição de Israel na região, tendo em conta o reconhecimento de Jerusalém em 14 de maio de 2018 e da soberania israelense sobre as Colinas de Golã em 25 de março de 2019.

    "Eu previ o reconhecimento oficial de Israel de cidades e povoados da Cisjordânia (Judeia e Samaria) como parte do Estado e também previ o reconhecimento dos EUA. Nós também vamos assistir a tentativas de negociar com Gaza. O Egito irá desempenhar um papel importante", prognostica o jornalista.

    A Cisjordânia e a Faixa de Gaza têm sido territórios disputados, tal como as Colinas de Golã, desde a Guerra dos Seis Dias em 1967. A ONU e a UE consideram a Cisjordânia, englobando Jerusalém Oriental e Gaza, como "territórios palestinos ocupados". Durante as últimas décadas, a comunidade internacional tem apoiado o estabelecimento de um Estado palestino como o meio para resolver o conflito israelo-palestino.

    Contudo, recentemente, cometendo o longamente esperado "plano de paz" de Trump, o representante especial dos EUA nas negociações internacionais, Jason Greenblatt, rejeitou o uso do termo "solução de dois Estados" nas próximas negociações entre Israel e os palestinos por que ambas as partes o entendem de forma diferente.

    O plano de Trump para o Oriente Médio será apresentado em junho, anunciou o conselheiro sênior e genro do presidente norte-americano Jared Kushner em 17 de abril.

    Em entrevista à Sputnik, Eskin opina que Israel continuará sua operação militar na Síria contra as forças do Irã que operam no terreno, o que é veementemente negado pelo Irã.

    "Israel vai continuar combatendo contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em muitos outros países) e outros grupos terroristas na península do Sinai", apontou o analista político.

    Em 13 de abril, Israel teria efetuado ataques aéreos contra instalações iranianas de produção de mísseis na província de Hama, na Síria. Segundo as Forças Armadas da Síria, eles conseguiram interceptar alguns dos mísseis. Anteriormente, em março, a Força Aérea de Israel (IAF, na sigla em inglês) realizou um ataque aéreo contra Aleppo.

    Tel Aviv tem atacado por repetidas vezes supostos alvos iranianos no território da Síria, enquanto Teerã continua rejeitando as afirmações de que mantém suas tropas na Síria.

    A vitória de Netanyahu foi apoiada pelos partidos de direita norte-americanos, europeus e asiáticos. O presidente Trump, o chanceler austríaco Kurtz, o ministro do Interior da Itália Salvini e o premiê da Índia Modi parabenizaram Netanyahu pela vitória, enquanto a Alemanha afirmou laconicamente que ia trabalhar com qualquer governo de Israel.

    Assim, poderemos falar sobre o aparecimento de uma espécie de "bloco de direita interacional"?

    "A 'internacional conservadora' não está sendo formada do mesmo modo da Internacional Socialista. Mas nós vemos uma estreita cooperação e uma profunda solidariedade. Eu adicionaria a essa lista o presidente russo Vladimir Putin, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o premiê da Hungria, Viktor Orban", disse ele. 

    Ele referiu que o programa de Kahol Lavan não é muito diferente do do Likud.

    "Você não encontrará qualquer agenda oposicionista substancialmente diferente da de Netanyahu. A única agenda deles é a exigência para substituir Netanyahu", apontou o jornalista.

    Ambos os partidos estiveram a par um do outro nas eleições e acabaram com 35 lugares para cada um. No entanto, Netanyahu recebeu o apoio do partido ultraortodoxo Shas, da ala direita da aliança Judaísmo da Torá Unida, da União dos Partidos de Direita, do partido centrista Kulanu e do partido secular Yisrael Beytenu. Graças a esses apoios ele ultrapassou Gantz, que teve o apoio da sua aliança Kahol Lavan, do partido de esquerda Meretz e do Partido Trabalhista de Israel.

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    Tags:
    UE, ONU, Benjamin Netanyahu, Síria, Faixa de Gaza, Cisjordânia, EUA, Israel
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