06:10 18 Outubro 2019
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    Membros do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica iraniano (foto de arquivo)

    Análise: inclusão da Guarda Revolucionária do Irã na lista de terroristas sairá caro a EUA

    © AP Photo / Vahid Salemi
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    Após a decisão dos EUA de incluir o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) na lista de organizações estrangeiras terroristas, Teerã decidiu em resposta adotar uma medida similar contra Washington e incluiu o Comando Central dos EUA (CENTCOM), na lista de organizações terroristas.

    Hasan Shemshadi, analista militar próximo do IRGC e correspondente de guerra, e Seyed Hadi Afgahi, cientista político e especialista iraniano em Oriente Médio, ex-diplomata do Irã no Líbano, disseram em entrevista à Sputnik Persa como poderá evoluir a situação no Oriente Médio após estes passos dos EUA e Irã.

    Segundo Shemshadi, os EUA estão "testando" a reação do Irã que surgirá após as suas declarações. Ao reconhecer o IRGC como organização terrorista, poderão afirmar que combatem o terrorismo ao levarem a cabo operações contra o Corpo de Guardiões no Irã, na Síria ou no golfo Pérsico.

    ''Isso irá dificultar a posição dos EUA no Oriente Médio. Eles não vão poder circular na região e no golfo Pérsico tal como têm feito até agora e causar danos às forças militares iranianas, se escudando na lei de luta contra uma 'organização terrorista' e ficando assim impunes. Nos últimos 40 anos, o Irã mostrou que não ficará à espera e irá retaliar, talvez, com um golpe mais duro ainda. Este tipo de estupidez irá sair caro ao governo dos EUA e ao povo americano", afirmou Shemshadi.

    Respondendo à questão se esta decisão dos EUA pode ser chamada de tentativa de desviar a atenção dos fracassos na região, Hasan Shemshadi disse que Estados Unidos reconheceram que, apesar de todos os esforços e investimentos, eles fracassaram na região.

    "O Irã desempenha um papel importante no Oriente Médio, e é difícil para os EUA aceitar isso. Eles têm muitos problemas na região, contradições internas, e talvez esta questão seja uma das maneiras de resolver os problemas que têm vindo a acumular-se", disse Shemshadi.

    Afgahi destaca que o Exército do Irã está presente no Iraque e na Síria, onde ele efetua ataques "intensos e dolorosos" contra os terroristas, sublinhando que "Israel e os EUA têm receio de que Exército sírio tenha chegado até as fronteiras das Colinas de Golã e Palestina. O IRGC que está presente neste território a convite [do governo sírio], destruiu os planos dos EUA de derrubar os regimes na Síria e no Iraque e apoio aos terroristas destes países".

    "Os próprios EUA cometem atos terroristas, começando por bombardeamentos das cidades de Hiroshima e Nagasaki, terminando no apoio ao Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países], sem mencionar que foram eles que o criaram. Foram eles que iniciaram a guerra no Vietnã, no Afeganistão, no Iraque, e agora afirmam que o IRGC é terrorista!", acrescenta o cientista político.

    "Quaisquer ações tomadas por parte dos EUA com vista a incitar uma crise contra o Irã vão levar ao aumento da tensão. Se os EUA utilizarem as bases militares no golfo Pérsico para atacar o Irã, aplicaremos medidas recíprocas de imediato", concluiu Afgahi.

    O especialista sublinhou que, no caso de uma guerra, todas as partes serão arrastadas para o conflito, incluindo a Frente de Resistência, os países aliados do Irã e os países sob a proteção americana.

    As opiniões expressas neste artigo não estão necessariamente de acordo com as da Sputnik

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    medidas de resposta, organização terrorista, Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Irã, EUA
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