10:53 17 Outubro 2019
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    Extração de óleo de xisto na Dakota do Norte, EUA, 6 de setembro de 2016

    Por que Ásia começou a desistir do xisto dos EUA?

    © AFP 2019 / Robyn Beck
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    Duas grandes refinarias da Coreia do Sul suspenderam a importação de óleo de xisto betuminoso dos Estados Unidos devido ao aumento do teor de impurezas, como metais e produtos químicos.

    No final de 2018, Seul havia se tornado o maior comprador de petróleo americano transportado por via marítima. As entregas chegaram a atingir uma média de 550 mil barris por dia.

    Devido a um nível muito alto de impurezas no óleo importado, duas importantes refinarias sul-coreanas, a SK Innovation e a Hyundai Oilbank, deixaram de receber os fornecimentos dessa matéria-prima do campo petrolífero de Eagle Ford, no sul do estado norte-americano do Texas.

    Os lotes foram imediatamente revendidos à petrolífera inglesa British BP Plc e à chinesa Sinochem Hongrun Petrochemical, que são menos exigentes quanto à qualidade do hidrocarboneto.

    O principal motivo da poluição foi a falta de capacidade dos oleodutos para bombear os volumes crescentes de óleo de xisto. As empresas têm de utilizar os mesmos gasodutos e instalações de armazenagem de petróleo para transportar todos os tipos deste combustível, o que acaba criando impurezas.

    "Diferentes tipos de petróleo bruto provenientes de jazidas de xisto — do Texas ao Dakota do Norte — passam pela mesma rota de entrega e coletam impurezas antes de chegar à Ásia, a maior região consumidora de petróleo do mundo", explica a Bloomberg, observando que a composição química instável do "ouro negro" se tornou uma "verdadeira dor de cabeça" para os compradores.

    Sebastien Barie, representante da petrolífera sul-coreana Hanwha Total Petrochemical, disse à Bloomberg que são constantemente encontrados metais, produtos químicos usados para limpar os tanques de armazenamento de petróleo, bem como produtos de oxidação que podem degradar drasticamente a qualidade do combustível produzido a partir dessas matérias-primas.

    Bariye ressaltou que o petróleo americano é de qualidade muito inferior ao do Oriente Médio, que é transportado pela mesma rota, mas tem muito menos impurezas, já que cada tipo é geralmente bombeado por um oleoduto separado.

    A Coreia do Sul avisou oficialmente os fornecedores estrangeiros de que irá controlar a qualidade do petróleo de xisto antes de retomar as compras.

    "O problema é que, nos Estados Unidos, o desenvolvimento da infraestrutura necessária para conectar os campos com os portos de águas profundas está significativamente atrasado em relação à exportação", disse Dennis Sutton, diretor executivo da Crude Oil Quality Association.

    Apesar dos problemas de poluição, Seul não irá abandonar completamente as matérias-primas americanas, ainda mais depois destes fornecimentos terem se tornado vitais para os coreanos após as sanções impostas por Washington a Teerã.

    A extração de óleo e petróleo de xisto sofre atualmente uma queda dos preços e a indústria tem de reduzir os custos, enfrentando ao mesmo tempo uma grave escassez de investimento: há dez anos que este mercado tem vindo a causar apenas perdas, não satisfazendo as expectativas dos investidores. Em 2018, a indústria recebeu metade do investimento de 2016. Em comparação com 2012, os investimentos diminuíram em dois terços.

    Analistas do Barclays alertam que agora que a produção de petróleo nos EUA atingiu um nível recorde de quase 12 milhões de barris por dia, a indústria atingiu o teto. É simplesmente impossível aumentar ainda mais a produção.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    países exportadores de petróleo, xisto, Coreia do Sul, Ásia, EUA
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