21:49 18 Junho 2019
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    Avião Boeing (imagem referencial)

    Quão afetado seria setor militar da Boeing pelas quedas de aeronaves comerciais?

    CC BY-SA 2.0 / Lars Steffens
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    Após dois Boeing 737 MAX 8 terem caído em circunstâncias semelhantes em menos de 5 meses, as cotações da empresa americana sofreram uma queda acentuada. Um especialista revelou à Sputnik como esta situação poderia afetar o setor militar desta empresa e quais foram as causas dos últimos acidentes.

    A Boeing não é apenas um gigante da aviação civil, mas também um dos mais importantes intervenientes no mercado de armamento. Dmitry Drozdenko, editor adjunto da revista russa Arsenal Otechestva (Arsenal da Pátria), explicou à Sputnik se a Boeing venderia menos equipamento militar por causa dos acidentes recentes.

    Drozdenko não relaciona os problemas das aeronaves civis da Boeing com os problemas militares da empresa. Segundo ele, o boicote chinês contra os produtos da Apple levou a uma queda substancial nas cotações da empresa, mas esta empresa ainda está em funcionamento. Assim, a Boeing vai continuar a trabalhar no setor militar sem alterações e, quando a situação 737 MAX 8 esteja resolvida, as ações vão recuperar de alguma forma, disse Drozdenko.

    O especialista também sublinhou que os problemas dos aviões Boeing 737 MAX 8 são obviamente de natureza técnica e não devem voltar a voar enquanto não forem feitas as modificações necessárias.

    "Com os dados disponíveis até agora, podemos dizer de forma preliminar que os cenários de voo foram muito semelhantes nos casos do Boeing indonésio e do etíope", disse o Drozdenko.

    Os dois aviões que caíram tinham o novo sistema de estabilização chamado MCAS. Segundo Drozdenko, este sistema foi introduzido no Boeing 737 MAX porque se trata de um avião muito antigo.

    Como explica o especialista, para competir com outras aeronaves mais modernas, o avião também foi equipado com "motores enormes e muito potentes", mas as modificações estruturais da aeronave foram mínimas. "A empresa decidiu não modernizar a estrutura do avião, mas apenas atualizar o software. Então se instalou esse sistema [MCAS], que pouco a pouco corrige a inclinação da aeronave que é causada pelo funcionamento dos motores", explicou ele.

    Os pilotos nem sequer deviam sentir este sistema funcionar. Mas acontece que certas formas de ganhar altitude são consideradas pelo MCAS como críticas e o MCAS começa a resolver o problema à sua maneira, disse Drozdenko.

    Após a catástrofe no mar de Java, o manual do piloto para o Boeing 737 MAX foi modificado, já que a parte sobre o funcionamento do MCAS não listava as ações a serem tomadas para lidar com situações inesperadas.

    No entanto, salienta Drozdenko, estas modificações não foram suficientes para evitar outra tragédia. Até a investigação estar concluída, não se pode dizer se os pilotos etíopes receberam ou não formação adicional.

    "Após o escândalo do avião indonésio, a Boeing destacou este sistema nos manuais e listou as ações a serem tomadas. Mas não se sabe o que os etíopes fizeram. O piloto tinha muita experiência e a empresa é muito boa", disse Drozdenko.

    Ao mesmo tempo, o especialista explicou que não há razão para estar preocupado com o futuro dos sistemas automáticos na aviação civil, uma vez que se trata de um processo evolutivo normal. Além disso, o transporte aéreo continua a ser um dos mais seguros do mundo, concluiu.

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    Tags:
    construção, software, sistema, avião, Boeing
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