18:41 24 Junho 2019
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    Mulher grita bem-vinda ajuda humanitária, balançando bandeira venezuelana em frente a grupo de soldados do Exército venezuelano e oficiais da Guarda Nacional bloqueando o acesso principal à ponte internacional Tienditas, que liga Colômbia e Venezuela, 7 de fevereiro de 2019

    Autoridade venezuelana acredita que atrás da ajuda humanitária 'vêm balas e bombas'

    © AP Photo / Fernando Llano
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    O presidente do Conselho Legislativo do estado de Táchira na Venezuela, Luis Mora, afirmou que "o governo venezuelano sempre acreditou no diálogo e na política" e "não na guerra", demonstrando receio de que a ajuda humanitária seja usada como desculpa para uma intervenção.

    Integrante do Parido Socialista Unido, Mora adicionou ainda que o Estado venezuelano "acredita no diálogo e nas perspectivas" que podem emergir da cúpula feita na quinta-feira (7), em Montevidéu (Uruguai), pelo Grupo de Contato Internacional sobre a Venezuela.

    "Temos uma grande fé e desejamos, e esperamos, que o mundo inteiro volte sua atenção para a Venezuela de maneira sincera, porque todo o mundo observa como está a Venezuela de todos os lados sem se concentrar nos interesses e na razão de fundo", disse durante entrevista à Sputnik Mundo.

    Mora ainda confirma a falta de alimentos e medicamentos no país, explicando que não foi "permitido trazê-los".

    "Eles nos bloqueiam, não permitem a passagem de navios, não permitem que os bancos entreguem o dinheiro da Venezuela, que são bilhões e bilhões de dólares", denunciou o dirigente bolivariano.

    Mora também questionou o fato de que há países, "como a Colômbia, cujo governo não quer enxergar além do que uma guerra pode significar".

    Além disso, o dirigente bolivariano desmentiu os relatos que dizem sobre o início da ajuda humanitária através do estado de Táchira. Ele acredita que o objetivo da ajuda externa seja político, ao demonstrar a imagem do povo venezuelano correndo para pegar "caixas de ajuda humanitária".

    "O povo é consciente e sabe o que aconteceu, por exemplo, na Síria ou Iraque, onde se falava de uma ajuda humanitária […], mas isso não passa de um Cavalo de Troia: atrás disso vêm balas e bombas."

    Para ajudar Caracas, Mora sugere que "sejam suspensas as sanções econômicas e financeiras", devolvendo o "dinheiro que está bloqueado nos bancos internacionais" para que, assim, seja possível comprar medicamentos e alimentos ao povo venezuelano. 

    "Aqui continuamos apostando em uma solução pacífica, política e consensual. Desde suas origens, o povo venezuelano teve a herança genética de nosso herói e, diante dos povos indígenas que lutaram, esse sangue está ali, que ainda não foi apagado. Não esperamos ou queremos que isso aconteça […] a pátria será defendida", concluiu.

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    Tags:
    crise, estratégia, ajuda humanitária, Táchira, EUA, Venezuela
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