00:27 20 Junho 2019
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    O presidente Jair Bolsonaro acena para os fotógrafos no Palácio do Planalto

    Especialistas dizem o que esperar de Bolsonaro no Fórum de Davos

    © Foto : José Cruz/Agência Brasil
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    Sputnik Brasil conversou com especialistas para entender os possíveis resultados da viagem de Bolsonaro ao Fórum de Davos.

    Esta é a primeira viagem internacional de Bolsonaro, e seu tema central é a economia. O mandatário brasileiro não domina muito bem pautas econômicas e chegou a ser desmentido por sua própria equipe na segunda semana de mandato, o que provocou receios por parte da imprensa e especialistas. 

    A equipe econômica do Governo Federal estuda apresentar um projeto de revisão para o Mercosul. E uma das ideias é transformar o bloco, que hoje é uma união aduaneira, em uma área de livre comércio. Uma mudança no bloco seria um grande desafio político para Bolsonaro, que precisaria mostrar habilidade de articulação.

    Qual postura podemos esperar de Bolsonaro nesse primeiro encontro?

    Sputnik Brasil conversou sobre o tema com professora da FGV-Rio e da UERJ, Lia Vals. Para ela, o programa do governo na área econômica, de maior abertura e desregulamentação, deve ser anunciado ao mundo pelo novo presidente.

    "Ele deve reforçar o seu compromisso com a reforma tarifária", disse Vals.

    "As tarifas do Brasil são mais altas do que as tarifas da Índia, que é considerado um país bastante protecionista", explicou a especialista. "O Brasil se atrasou, não avançou no caminho das liberalizações principalmente nessa área, de insumos e de bens de produção, o que afeta a produtividade do país".

    O presidente da consultoria independente Troia Intelligence, o economista Ricardo Gennari, concorda com sua colega. Ele aposta que Bolsonaro tentará transmitir uma visão positiva das reformas que estão em curso no Brasil.

    "Ele deve falar da Reforma da Previdência…bem como da Reforma Fiscal e da Reforma Tributária", afirmou o interlocutor da Sputnik.

    No entanto, Gennari acredita que muto dependerá a postura do próprio Bolsonaro.

    "Ele tem que passar para os ouvintes que aquilo que ele está falando, como presidente da República do Brasil, é o que ele realmente vai seguir. Porque se ele não mostrar firmeza no que ele está falando, o empresário vai ficar desconfiado. Estamos já há vinte dias [da nova presidência] e ainda não vimos o governo dele funcionando", alertou o consultor.

    O economista também apontou para falta de planejamento e para a lentidão do Congresso. Nesse sentido, o economista não acredita que a viagem do novo chefe de Estado injetará confiança no mercado internacional. "É prematuro", afirmou.

    No entanto, ele acredita em alguns avanços possíveis na agenda bilateral. "O Brasil agora, como outros países da América Latina, está priorizando acordos bilaterais com UE e EUA", disse. 

    Para ele, esse caminho poderá abrir novas oportunidades, o que a longo prazo, no entanto, deve enfraquecer o Mercosul.

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