22:09 14 Outubro 2019
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    Nicolás Maduro, presidente de Venezuela

    Por que Venezuela não sairá da crise em breve mesmo se oposição chegar ao poder?

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    O professor da Universidade de São Petersburgo, Viktor Jeifets, falou com o serviço russo da Rádio Sputnik e avaliou os problemas econômicos da Venezuela e quanto custaria para resolvê-los.

    O presidente venezuelano Nicolás Maduro posiciona hoje o país como um polo alternativo regional, porém a crise econômica e queda de preços do petróleo enfraqueceram o seu poder, opina Jeifets, acrescentando que a imagem da Venezuela vem se deteriorando nos últimos anos.

    Se anteriormente a Venezuela era capaz de avançar seus programas no palco regional, inclusive graças aos preços altos de petróleo, hoje em dia esse país é o símbolo da crise migratória e novos governos dos países vizinhos não estão dispostos a apoiar às autoridades atuais venezuelanas, comentou.

    Respondendo à pergunta sobre a crise migratória e econômica em geral na Venezuela, o especialista russo afirmou que ela não acabará em breve pelo simples fato de o país não ter dinheiro.

    "Para retirar a Venezuela da crise é necessário gastar pelo menos 25 bilhões de dólares [R$ 92,5 bilhões] no primeiro ano e ainda 20 bilhões de dólares [R$ 74 bilhões] anuais nos próximos três ou quatro anos, mas ninguém está disposto a investir tanto dinheiro na Venezuela", ressaltou o analista.

    Se oposição chegar ao poder, a situação não mudará significativamente, visto que a Venezuela continuaria precisando dos bilhões, que não seriam dados pelos EUA, de acordo com Jeifets.

    "Quaisquer que sejam as mudanças no poder, o modelo econômico é precário, que, a propósito, era pouco eficaz ainda antes de [ex-presidente da Venezuela Hugo] Chávez", disse o especialista, esclarecendo que o problema apareceu quando as autoridades venezuelanas criaram a economia completamente dependente do petróleo (até 90%).

    Além disso, a Venezuela agora tem outro problema — o país quase não recebe dinheiro do fornecimento de petróleo ao exterior, já que a maioria das somas vai para pagamento de créditos, principalmente chineses. Apenas dois países pagam à Venezuela com dinheiro real, são a Índia e os EUA.

    "Frente anti-Venezuela"

    No entanto, o rumo político de Maduro não se encaixa no rumo político norte-americano, o que indigna Washington, de acordo com Jeifets. A Casa Branca não reconhece as últimas eleições presidenciais e exige realização de novas eleições e ampliação dos direitos da oposição, mas Caracas não está de acordo.

    A quantidade de países da América Latina que estão prontos para pressionar ainda mais Maduro está crescendo. Para exemplificar, o analista indica o Brasil. O governo anterior brasileiro, mesmo não concordando completamente com Chávez e Maduro, os aguentava, mas o presidente atual Jair Bolsonaro deu claramente a entender que considera não democrático o governo venezuelano.

    Por outro lado, o especialista destaca que a "frente anti-Venezuela na América Latina não é unida". Assim, o México se recusou a assinar a declaração do Grupo de Lima que insta Maduro a não tomar posse de seu novo mandato e pedir uma nova eleição presidencial. O México vai enviar um representante à posse de Maduro, visto que anteriormente Maduro estava presente na posse do presidente mexicano.

    Jeifets afirma que o posicionamento mexicano não contradiz o rumo da política externa mexicana, país que não quer envolvimento de outros governos em seus assuntos internos, como também não quer se envolver nos assuntos internos de outros países.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    dependência, petróleo, crise econômica, crise migratória, especialista, Nicolás Maduro, Venezuela
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