10:26 18 Junho 2019
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    O complexo lançador de mísseis S-400 Triumph desfila pela Praça Vermelha durante a Parada da Vitória em 9 de maio de 2017 (imagem referencial)

    Que países preferiram armas russas às americanas em 2018

    © Sputnik / Grigory Sysoev
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    Em 2018, os contratos da Rosoboronexport ultrapassaram o valor de US$ 50 bilhões e, apesar das sanções ocidentais, a quantidade de compradores estrangeiros de armas russas só está crescendo. A Sputnik preparou uma retrospectiva de 2018 sobre os principais contratos militares da Rússia com outras nações.

    Comprador principal

    A Índia se tornou o principal importador de armas russas em 2018. No dia 5 de outubro, Moscou e Nova Deli assinaram contrato para fornecimento de cinco sistemas de defesa antiaérea S-400 Triumph equivalente a mais de US$ 5,4 bilhões (R$ 20 bilhões).

    Já tendo sido chamado de maior negociação da história da Rosoboronexport, o contrato com a Índia prevê pagamento pelos sistemas de defesa antiaérea em rublos, podendo ser essa negociação o ponto de partida para transações em rublos com outros países interessados em armamento pesado russo.

    O segundo grande contrato entre a Rússia e a Índia neste ano se trata da venda de quatro fragatas russas do projeto 11356 no esquema "dois mais dois". Detalhes da transação não foram divulgados, mas a entrega dos dois primeiros navios praticamente prontos é avaliada em US$ 950 milhões (R$ 3,7 bilhões).

    O principal armamento dessas fragatas é famoso BrahMos, o mais rápido míssil de cruzeiro supersônico do mundo, capaz de atingir alvos na superfície aquática a até 300 quilômetros.

    Além disso, em meados de maio, a empresa Vertolyoty Rossii (Helicópteros da Rússia) recebeu um pedido do Ministério da Defesa indiano para o fornecimento de 200 helicópteros multifuncionais Ka-226T e é possível que a produção seja parcialmente conjunta.

    Em janeiro, a ministra da Defesa da Índia, Nirmala Sitharaman, aprovou uma proposta para a compra de 240 bombas aéreas da Rússia por uns US$ 200 milhões (R$ 778 milhões).

    E no início de setembro, Nova Deli realizou com êxito os primeiros testes bem-sucedidos de armamento de tanques russos de 125 milímetros Mango. A assinatura de mais contratos importantes é esperada para acontecer no ano que vem.

    "Trata-se principalmente do fornecimento de 220 mil fuzis de assalto Kalashnikov e de 48 helicópteros Mi-17", disse Andrei Frolov, editor-chefe da revista russa Eksport vooruzheny (Exportação de Armas) à Sputnik.

    De acordo com Frolov, eles não conseguiram cumprir um contrato neste ano, mas assinaram um contrato para o fornecimento de um grande lote de sistemas portáteis de lançamento de mísseis terra-ar Igla.

    O preço exato do contrato é desconhecido, mas vários especialistas estimam corresponder a US$ 1,5 bilhão (R$ 5,8 bilhões).

    Frente oriental

    A cooperação técnico-militar entre a Rússia e a Indonésia tem uma história de 60 anos, ou seja, desde 1958. Para se ter uma ideia, somente a partir de 1992, Moscou vendeu armas, equipamentos militares, aviões e helicópteros para Jacarta no valor de mais de US$ 2,5 bilhões (R$ 9,7 bilhões).

    Em 2018, as partes assinaram um contrato inovador para o fornecimento de 11 dos mais modernos caças Su-35 russos, estimado em US $ 1,1 bilhão (R$ 4,2 bilhões).

    Mas pode ser que a entrega destas aeronaves seja adiada, uma vez que os EUA ameaçaram a Indonésia com sanções. Anteriormente, Jacarta declarou desejo de adquirir vários submarinos diesel-elétricos do projeto 636 Varshavyanka. Com este contrato, no contesto geopolítico, a situação também não está clara.

    Também se deve destacar que em 2018 foi iniciada a realização de um grande contrato de 2016 para o fornecimento de 500 tanques T-90S e veículos blindados BMP-3 para o Iraque.

    Uma parte significativa dos 64 tanques reservados T-90S foram enviados para o Vietnã, que está modernizando ativamente seu exército. E na região asiática não é tudo.

    Não se deve esquecer Laos, que recebeu neste ano algumas dezenas de T-72B1. Em novembro, soube-se que Mianmar havia aprovado um contrato histórico com a Rússia para adquirir seis caças Su-30SM.

    Como notou vice-ministro da Defesa da Rússia, Aleksei Fomin, este acordo é capaz de abrir portas para um contrato maior, e o Su-30SM pode vir a se tornar o principal caça deste país asiático.

    Sistemas de defesa antiaérea

    Vale destacar que a Rússia não só vende equipamentos militares no exterior, mas também ajuda parceiros no manuseio de armas que já foram exportadas. Assim, até o final de dezembro, a empresa Vertolyoty Rossii (Helicópteros da Rússia) planeja abrir centros de manutenção no Brasil e no Peru para helicópteros Mi-17 e Mi-35 russos.

    E mais, em abril, a Rússia e a Grécia concluíram um acordo para prolongar a vida útil dos sistemas de armas. Trata-se da manutenção dos sistemas de defesa antiaérea S-300PMU-1, o sistema de defesa antiaérea Tor-M1 e os sistemas de defesa antiaérea Osa. Atualmente a Grécia é o único país da OTAN armado com sistemas russos de defesa antiaérea.

    A intriga principal na indústria militar de 2019, de acordo com especialistas, será o longo contrato para a venda dos mais avançados sistemas russos de defesa antiaérea S-400 para a Turquia, outro membro da OTAN. Em dezembro de 2017, as partes assinaram um contrato de empréstimo para o fornecimento de quatro divisões de sistemas avaliados em US$ 2,5 bilhões.

    Os EUA estão muito preocupados com esse acordo e criticaram Turquia, ameaçando até não vender caças furtivos F-35 caso o acordo com a Rússia seja concretizado.

    E em 19 de dezembro, o Pentágono informou que tinha sido aprovado um possível acordo para vender os sistemas de defesa antiaérea Patriot para Turquia por US$ 3,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões). Qual será o desfecho de tudo isso, ainda não se sabe.

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    Tags:
    exportação de armas, Rosoboronexport, Vertolyoty Rossii (Helicópteros da Rússia), Turquia, Grécia, Mianmar, Vietnã, Iraque, Indonésia, Índia, Rússia
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