18:58 15 Julho 2019
Ouvir Rádio
    Mar do Sul da China

    Analista chinês pondera criação de base militar indonésia no mar do Sul da China

    © AFP 2019 / STR
    Análise
    URL curta
    0 20

    Recentemente, a Indonésia abriu uma base militar na parte sul do mar do Sul da China, com a previsão de instalação de mil militares.

    Considerada por cientistas políticos como um ponto de conflito, o mar do Sul da China é uma área estratégica de mútuos interesses de grandes potências regionais e extrafronteiriças.

    As disputas territoriais de longa data, as tentativas ativas dos Estados Unidos e de outros países ocidentais de lidar com as contradições dos participantes de disputas, as reservas de hidrocarboneto e a passagem de rotas marítimas estratégicas pelo mar, tudo isso faz com que aumente seriamente a presença militar nesta região.

    A militarização da área do mar do Sul da China obriga os Estados da Região a aumentar seus gastos militares e, consequentemente, os riscos de conflitos também crescem, dificultando ainda mais a solução do problema.

    A Indonésia não participa de disputas territoriais do mar em questão, mas começaram a surgir preocupações em Jacarta sobre possíveis reivindicações da China em relação à zona econômica exclusiva perto do arquipélago de Natun.

    O especialista chinês Shen Shishun, durante entrevista à Sputnik, disse que não vê razão para a Indonésia aumentar sua presença militar na região.

    "Indonésia e China não são participantes das disputas no mar do Sul da China. Se a Indonésia cria uma base militar dentro do seu território soberano, então é necessário entender a necessidade dessa medida, ou seja, se existem de fato motivos para criar uma base militar especificamente nesta área. Se algo ameaça a segurança nacional, é claro que você precisa agir. No entanto, se não houver ameaça, e você toma medidas militares, isso poderá forçar outros países da região a fortalecer a militarização na região. Isso é claramente inadequado", ressaltou Shishun.

    Para o especialista, é necessário analisar as ações indonésias, determinando se elas de fato são construtivas para a região e se contribuem para a paz e estabilidade do mar.

    "Este é o ponto de partida para avaliar as decisões tomadas. A julgar pelas ações indonésias, não penso que elas sejam necessárias. Ninguém ameaça a Indonésia em todas as águas do mar do Sul da China. Ações militares em tal situação não contribuem para a paz e estabilidade na área", ressalta.

    Quando perguntado sobre as perspectivas para o próximo ano, o analista chinês afirmou que, no momento, a situação geral da região do mar "está se desenvolvendo na direção da estabilidade e cooperação, e essa tendência está aumentando".

    "Se uma situação turbulenta surge na região e a ameaça externa aumenta, então os países costeiros podem tomar suas próprias medidas preventivas […] Este ano, o status quo foi mantido na região, e um ambiente estável e pacífico foi mantido. Países localizados no mar do Sul da China são obrigados a manter conjuntamente a estabilidade regional."

    O Código de Conduta (CC) no mar do Sul da China, que a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a China vêm desenvolvendo em conjunto desde 2012, tem como objetivo evitar conflitos sobre disputas territoriais por ilhas e recursos marinhos na região. Durante a última cúpula da organização, realizada em Singapura em novembro de 2018, os países envolvidos acordaram manter a conduta por três anos.

    Mais:

    Tensão crescente: bombardeiros dos EUA voam perto do mar do Sul da China
    Duterte declara que mar do Sul da China está agora nas 'mãos de Pequim'
    Conheça resultados do diálogo entre EUA e China sobre confrontação no mar do Sul da China
    Chineses estão construindo 'submarinos-fantasma' para defender mar do Sul da China
    Tags:
    base militar, militarização, ações, águas terriroriais, disputa territorial, Associação das Nações do Sudeste Asiático, China, Indonésia, Mar do Sul da China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar