12:52 18 Agosto 2019
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    Os líderes russo, sul-africano, indiano, chinês e brasileiro na reunião multilateral durante a IX cúpula dos BRICS e, Xiamen, em 4 de setembro de 2017

    Para Bolsonaro seria 'grande suicídio' se afastar da China, segundo economista

    © Sputnik / Grigory Sysoev
    Análise
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    Anastasiya Petrushina
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    No ano em que o Brasil assume a presidência rotativa do BRICS, a postura do novo governo, ou seja, a indicação de um maior alinhamento com o Ocidente, e um menor com a China, geram questões sobre o desempenho do país no bloco.

    Prestes a deixar o cargo da presidência da República, Michel Temer (MDB) afirmou recentemente em entrevista ao GloboNews sobre ter "tranquilizado" os líderes do bloco a respeito do futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo Temer, no panorama econômico do país "não haverá modificações". Entretanto, o posicionamento do Brasil em relação ao bloco permaneceria o mesmo? 

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Bruno de Conti, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON/Unicamp), falou das perspectivas da aliança.  

    Segundo ele, o país não abandonará o BRICS, por um simples motivo: dependência da China. Se afastar do gigante asiático seria um "suicídio" para Bolsonaro, opina o analista. 

    "Não acho que ele [Bolsonaro] vá sair do BRICS por um motivo muito simples – o Brasil depende bastante particularmente da China dentro do BRICS. Comercialmente e economicamente, seria um grande suicídio para Bolsonaro se afastar da China", indicou. 

    Conti não acredita que o Brasil vá sair do BRICS, mas não exclui um afastamento do bloco. Com a provável aproximação aos EUA, o BRICS deixaria de ser prioridade na agenda da política brasileira, apontou.

    "Particularmente no governo Dilma Rousseff, a gente viu um interesse muito grande dela, do governo dela, com essa aproximação, na construção do banco do BRICS em Xangai, e em muitas outras medidas. Este não vai ser o caso agora. O objetivo explícito é de aproximação com os Estados Unidos", destacou.

    Porém, o economista assinalou que, na presidência de Temer, o país já estava dando menos atenção à aliança, então, neste caso a postura do novo governo seria continuidade da linha de Michel Temer.

    "Neste sentido, a política externa de Bolsonaro vai ser uma continuidade da política externa de Temer", reforçou.

    Bruno de Conti mencionou a Rede das Universidades do BRICS como um exemplo da iniciativa descontinuada em alguma forma no bloco, que com Temer deixou de ser financiada pelo governo brasileiro. Entretanto, segundo ele, a universidade brasileira continua muito interessada no projeto. 

    O analista concluiu que a postura do novo governo em relação ao BRICS será muito visível na próxima cúpula do bloco que decorrerá no território brasileiro.

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    Tags:
    relações, BRICS, China, Brasil
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