13:33 13 Dezembro 2019
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    Os líderes russo, sul-africano, indiano, chinês e brasileiro na reunião multilateral durante a IX cúpula dos BRICS e, Xiamen, em 4 de setembro de 2017

    Para Bolsonaro seria 'grande suicídio' se afastar da China, segundo economista

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    No ano em que o Brasil assume a presidência rotativa do BRICS, a postura do novo governo, ou seja, a indicação de um maior alinhamento com o Ocidente, e um menor com a China, geram questões sobre o desempenho do país no bloco.

    Prestes a deixar o cargo da presidência da República, Michel Temer (MDB) afirmou recentemente em entrevista ao GloboNews sobre ter "tranquilizado" os líderes do bloco a respeito do futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo Temer, no panorama econômico do país "não haverá modificações". Entretanto, o posicionamento do Brasil em relação ao bloco permaneceria o mesmo? 

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Bruno de Conti, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON/Unicamp), falou das perspectivas da aliança.  

    Segundo ele, o país não abandonará o BRICS, por um simples motivo: dependência da China. Se afastar do gigante asiático seria um "suicídio" para Bolsonaro, opina o analista. 

    "Não acho que ele [Bolsonaro] vá sair do BRICS por um motivo muito simples – o Brasil depende bastante particularmente da China dentro do BRICS. Comercialmente e economicamente, seria um grande suicídio para Bolsonaro se afastar da China", indicou. 

    Conti não acredita que o Brasil vá sair do BRICS, mas não exclui um afastamento do bloco. Com a provável aproximação aos EUA, o BRICS deixaria de ser prioridade na agenda da política brasileira, apontou.

    "Particularmente no governo Dilma Rousseff, a gente viu um interesse muito grande dela, do governo dela, com essa aproximação, na construção do banco do BRICS em Xangai, e em muitas outras medidas. Este não vai ser o caso agora. O objetivo explícito é de aproximação com os Estados Unidos", destacou.

    Porém, o economista assinalou que, na presidência de Temer, o país já estava dando menos atenção à aliança, então, neste caso a postura do novo governo seria continuidade da linha de Michel Temer.

    "Neste sentido, a política externa de Bolsonaro vai ser uma continuidade da política externa de Temer", reforçou.

    Bruno de Conti mencionou a Rede das Universidades do BRICS como um exemplo da iniciativa descontinuada em alguma forma no bloco, que com Temer deixou de ser financiada pelo governo brasileiro. Entretanto, segundo ele, a universidade brasileira continua muito interessada no projeto. 

    O analista concluiu que a postura do novo governo em relação ao BRICS será muito visível na próxima cúpula do bloco que decorrerá no território brasileiro.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    relações, BRICS, China, Brasil
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