00:42 17 Novembro 2018
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    Munições com urânio empobrecido que foram usadas durante bombardeios da OTAN na Iugoslávia nos anos 90, imagem referencial

    Ameaça escondida: como OTAN ainda está matando sérvios

    © AP Photo / Hidajet delic
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    Na Sérvia, depois dos bombardeios de 1999, a taxa de incidência de vários tipos de câncer somente cresceu, sendo especialmente evidente nas regiões onde a aviação da OTAN usou bombas de urânio empobrecido.

    Trata-se de vinte anos de descaso institucional em lidar com o aumento de casos de câncer, mas no início do segundo semestre de ano foi criada uma comissão especial, que pode vir a provar que os sérvios sofrem de câncer cerebral, doenças dermatológicas inexplicáveis e tumores malignos que não surgiram por acaso.

    "Em Vranje, das 40 pessoas que tiveram contato direto com o solo contaminado pelo urânio, 10 já morreram e a maioria das mortes foi causada por tumores malignos. Muitas pessoas, que estiveram nas zonas infectadas, têm problemas de pele, tais como eritema e erupções ulcerosas de etiologia desconhecida", diz chefe da Comissão Investigativa dos Bombardeios da OTAN, Darko Laketic, à Sputnik Sérvia.

    Ele acrescenta que na aldeia de Borovac, atingida por ataques aéreos da OTAN com uso de bombas de urânio empobrecido, três dos 300 habitantes, ou seja, 1% da população, sofrem de câncer cerebral. De acordo com Darko Laketic, o objetivo principal de hoje é analisar relação causa-efeito e classificar os relatórios médicos para "prevenção, detecção e tratamento do câncer nos estádios iniciais nas regiões necessárias".

    Na lista dos 185 países, a Sérvia ocupa a 18ª posição com 307,9 tumores malignos detectados em 100.000 habitantes. Em 1999, antes dos bombardeios da OTAN na Sérvia, de 9.000 a 12.000 pessoas morriam de câncer por ano, então, segundo informação de 2014, o número de mortes dobrou para 22.000, e o número de pacientes com câncer recém-diagnosticado atingiu 40.000.

    Alguns cientistas acreditam que esta situação é atribuída ao uso de urânio empobrecido pela OTAN e apontam para a prevalência de leucemia e linfoma na Sérvia, tipos de tumores cancerígenos mais sensíveis à radiação ionizante. Outros especialistas notam não haver provas de uma relação entre o aumento de incidências e o urânio empobrecido, visto que a quantidade de casos de câncer está aumento por todo o país, e o urânio empobrecido possui um alcance limitado. O primeiro relatório da comissão sérvia dedicado às consequências de bombardeios da OTAN será publicado em 2020.

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    Tags:
    sérvios, bombardeio da OTAN de 1999, câncer, OTAN, OTAN, Sérvia
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