17:19 16 Fevereiro 2019
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    Imigrantes venezuelanos no estado de Roraima, Brasil (arquivo)

    Especialistas avaliam impacto da permanência das Forças Armadas na fronteira com Venezuela

    © AP Photo / Eraldo Peres
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    O presidente Michel Temer autorizou o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem no período de 31 de outubro a 31 de dezembro de 2018, no Estado de Roraima, para a proteção das instalações e das atividades relacionadas ao acolhimento de refugiados vindos da Venezuela.

    Na realidade, a medida amplia o tempo da permanência dos militares na área, cujo decreto de GLO terminou nesta terça-feira. O uso das Forças Armadas e programas de interiorização por parte do governo federal até o momento se mostram eficientes para resolver a questão?

    Sputnik Brasil conversou sobre o tema com Márcio Coelho, jornalista, geógrafo e administrador, de Pacaraima, Roraima. Para ele foi uma decisão acertada pois, apesar da redução do fluxo de venezuelanos, o movimento na fronteira continua intenso.

    "Ficou mais organizado", explicou o jornalista. "Já na fronteira mesmo, junto com a Polícia Federal, o exército ajuda na acolhida [dos refugiados], na emissão de documentos, junto à Acnur".

    "O trabalho do exército é muito importante e muito válido aqui", acrescentou. 

    "Foi uma decisão acertada. Essa situação na Venezuela não vai acabar tão cedo e vai ser um problema para o próximo presidente. Então acredito que essa equipe de transição deveria tratar desse assunto. O povo de Roraima acredita que o governo de Michel Temer não deu atenção devida ao assunto na hora certa. Quando se enviou o exército, o número de venezuelanos já era muito alto. Acredito que o novo presidente deve tratar esse tema com mão de ferro", concluiu Márcio Coelho.

    O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista, João Carlos Jarochinski Silva, também não considera a decisão como algo negativo. A situação da segurança no estado ainda está instável, e as Forças Armadas oferecem muitos serviços na região e gozam de legitimidate junto à posição local. Dessa forma a violência foi freada.

    "Nesse aspecto foi importante a presença das Forças Armadas, que possibilitaram um cenário de apaziguamento. Que não foi completo, pois há um cenário de violência. Mas pelo menos nas regiões dos abrigos e de atuação efetiva do Estado brasileiro não foram registradas grandes ocorrências. Então foi algo relativamente bem-sucedido. Possibilitando inclusive uma garantia maior para as organizações da sociedade civil que atuam nessa área e para organizações internacionais", disse o professor.

    Para ele, no entanto, nunca pode-se esquecer que essa medida é extrema e configura um "remédio amrgo" para o projeto de segurança no estado e no país.

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