23:58 10 Dezembro 2018
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    Membros do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica iraniano (foto de arquivo)

    Quem vai receber 'resposta esmagadora' do Irã pelo atentado em Ahvaz?

    © AP Photo / Vahid Salemi
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    No sábado (22), militantes armados abriram fogo contra uma parada militar na cidade de Ahvaz, matando 29 pessoas e ferindo outras 60. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, que perdeu 12 de seus militares no atentado, prometeu que o Irã daria uma "resposta esmagadora" aos envolvidos no ataque. Mas de quem Teerã irá se vingar?

    A reponsabilidade pelo atentado foi assumida pelo Movimento Democrático Patriótico Árabe de Ahvaz (Al-Ahvazia), ligado à Arábia Saudita.

    O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, comentando a tragédia, afirmou que os atacantes receberam dinheiro da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos e que tinham sido apoiados pelos EUA.

    Ex-chefe do Conselho de Cultura da administração presidencial iraniana, doutor Abbas Amirifar, acredita que por trás do ataque em Ahvaz estão países do Ocidente que "têm uma atitude hostil perante o Irã".

    "Vale destacar que os terroristas que disseram estar envolvidos no atentado instalaram-se no Ocidente e recebem ajuda dos Estados Unidos, Reino Unido e outros países europeus", afirmou Amirifar em entrevista à Sputnik Persa.

    O especialista em assuntos do Oriente Médio e cientista iraniano, Mani Mehrabi, explicou à agência que por enquanto não se sabe com certeza a que grupo pertencem os executantes do atentado em Ahvaz, mas há duas versões principais: o movimento Al-Ahvazia e o grupo Resistência Nacional de Ahvaz (Ahvaz National Resistance). Segundo Meharabi, "estes dois grupos separatistas, que atuam na província de Khuzistão, assim como o grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia), podem ser responsáveis pelo ataque terrorista". Mas, acrescenta, a primeira versão, que considera os grupos separatistas árabes, é a mais provável e, neste caso, a escolha de Ahvaz como lugar para o atentado fica evidente.

    Ahvaz é a capital e maior cidade da província do Khuzistão, que concentra a minoria árabe do país e tem sido palco de disputas étnicas entre árabes e o governo iraniano.

    "Desde o início da Revolução Islâmica no irã em 1979, a Arábia Saudita gastou grandes recursos para incentivar a população árabe do Khuzistão a lutar pela separação e autonomia. Mas este plano infantil fracassou. Apesar disso, a Arábia Saudita continuou financiando os militantes dos dois grupos terroristas […] na tentativa de resistir ao governo central iraniano", comentou o interlocutor da Sputnik. Hoje em dia, de acordo com Mehrani, estes grupos consistem de apenas alguns elementos terroristas apoiados pela Arábia Saudita, Israel e Irã.

    Abbas Amirifar compartilha a visão que Ahvaz foi escolhida como alvo do atentado propositadamente, destacando que nesta área sempre houve separatistas agindo sob égide do Reino Unido.

    "Separatismo foi e continua sendo um instrumento geopolítico na política ocidental e especialmente na britânica. Aproveitando as ideias separatistas inspiradas pela situação étnica e religiosa, eles tentam semear discórdia e hostilidade entre os povos que vivem no Irã (persas, curdos, árabes, turcos) para atingir seu objetivo principal — obter controle sobre a região", opinou Amirifar.

    Cientista político iraniano Seyyed Hadi Afghahi, concorda com os outros analistas iranianos e afirma que a cidade de Ahvaz sempre foi um lugar atraente para os inimigos de Teerã devido ao fator étnico, mas também aponta que a província de Khuzistão é muito rica em petróleo e gás, uma locomotiva da economia iraniana.

    Quanto aos executantes do ataque, Afghahi indicou que o grupo Al-Ahvazia tem por objetivo criar um estado separado chamado Arabistão e até hoje representa uma célula terrorista adormecida que de vez em quando realiza atentados. "Dados os ataques anteriores e o desejo dos países do golfo Pérsico de financiar e apoiá-lo, não há certeza que o mesmo não aconteça no futuro", notou o analista.

    Em qualquer caso, afirma Mani Mehrab, "o Irã não deixará sem castigo os responsáveis pelo ataque terrorista em Ahvaz", tal como aconteceu antes. Mas desta vez a resposta pode não ter um caráter militar.
    Tanto ele como Seyyed Hadi Afghahi acreditam que é preciso tomar medidas políticas tanto contra os perpetradores como os financiadores do ataque.

    "É preciso criar uma forte frente de resistência, não apenas contra os separatistas deste grupo terrorista, mas também contra todos os patrocinadores regionais — Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Todos eles devem ser punidos diretamente ou através do Conselho de Segurança e do Conselho Internacional de Direitos Humanos da ONU pelos crimes cometidos", ressaltou.

    Os especialistas entrevistados são unânimes em acreditar que o Irã tem o direito para responder ao ataque, mas como vai a ser esta resposta, política ou militar, desde o território do Irã ou não, vai ser decidido pelo comandante supremo ou pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional.

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    resposta, atentado, ataque, Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Ahvaz, Emirados Árabes Unidos, Irã, Arábia Saudita, Israel, Reino Unido, EUA
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