02:38 21 Setembro 2018
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    Porta-aviões norte-americano Harry S. Truman no golfo de Omã (foto de arquivo)

    Poderá restabelecimento da 2ª Frota dos EUA provocar nova corrida armamentista?

    © AP Photo / Mass Communication Specialist 3rd Class J. M. Tolbert
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    Nesta sexta-feira (24), os Estados Unidos restabeleceram oficialmente a sua Segunda Frota para conter a Rússia no Atlântico Norte. Analistas russos comentam o que impulsionou a medida e se esta terá efeito.

    A Segunda Frota dos EUA foi criada em 1950 e desempenhou um papel importante na oposição a Moscou durante a Guerra Fria. Em 2011, sob a presidência de Barack Obama, a Segunda Frota foi dissolvida. Em maio de 2018, foi anunciada a sua reativação.

    Vladimir Vasiliev, pesquisador do Instituto dos EUA e do Canadá, acredita que a recuperação da Segunda Frota é a resposta de Washington às atividades de Moscou no Ártico.

    "Os Estados Unidos têm planos de aumentar sua presença no Ártico. Um dos objetivos mais importantes da criação da frota é competir com a Rússia pelo controle, possibilidade de patrulhamento e presença no Atlântico Norte", disse Vasiliev.

    Porém, acrescenta, a reativação da frota será dificultada por sérios problemas de financiamento, podendo levar vários anos.

    "O programa de aumento das capacidades da Marinha americana está enfrentando sérios problemas financeiros. Basta destacar que no orçamento de 2019 […] os financiamentos para a Marinha foram reduzidos de 13 unidades para 12. Isso demonstra que o programa está encarando desafios", explicou o analista.

    Vasiliev lembrou que no passado a Segunda Frota foi dissolvida precisamente devido a razões financeiras e acredita que, no momento, se trata apenas de intenções e não de uma política real.

    Ao mesmo tempo, o especialista reconhece que, uma vez posta em serviço, a Segunda Frota reforçará a presença americana no Atlântico Norte e no oceano Ártico.

    Por sua parte, deputado russo Yuri Shvytkin, vice-presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), duvida que a reativação da Segunda Frota ajude Washington a conter Moscou no Ártico.

    "Não pode ser um fator de dissuasão, pode ser somente um impulso para uma corrida armamentista, mas os próprios EUA não querem se envolver em tal corrida, nem nós, claro", afirmou Shvytkin.

    A Marinha russa, segundo o deputado, é equipada com armamentos mais recentes e em breve receberá novos submarinos e navios, por isso o restabelecimento da frota estadunidense não mudará o balanço de forças na região em questão.

    "O poderio [militar norte-americano] tem um caráter virtual porque não pode exercer nenhuma pressão, não pode influenciar uma possível contraposição por parte de nossa Marinha", opinou o político.

    O analista militar russo Konstantin Blokhin também tem uma visão cética quanto ao sucesso do projeto estadunidense.

    Ele aponta que, nas condições da atual concorrência tanto com a China como com a Rússia, Washington tentará controlar todos os pontos do planeta aumentando lá sua presença. Mas, para Blokhin, esta tática está destinada ao fracasso.

    "Acho que esta tática é completamente errada e, do ponto de vista da arte militar, está destinada ao fracasso. Porque travar uma guerra com todos em todas as frentes é um erro grave", disse o analista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

    Tentando conter ao mesmo tempo Pequim e Moscou, Washington gasta seus recursos e possibilidades, diz analista, acrescentando que neste caso "a economia americana poderá simplesmente não aguentar".

    A Segunda Frota dos EUA terá como portos de origem as bases militares na costa leste dos EUA, assim como em portos da Noruega e Reino Unido.

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    Tags:
    concorrência, presença militar, Marinha, Segunda Frota, Reino Unido, Noruega, China, Ártico, Rússia, EUA
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