09:43 17 Dezembro 2018
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    Capitólio dos Estados Unidos em Washington

    'Efeito aliança' das guerras comerciais: Alemanha, China e Rússia se opõem aos EUA

    CC BY 2.0 / Jason Ippolito / US Capital
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    Cada nova rodada de tarifas e medidas restritivas dos EUA não somente provoca crises financeiras nos países sancionados, mas também oferece oportunidades para novas alianças estratégicas.

    Os EUA desencadearam uma guerra tarifária com a China, e o Japão e a Alemanha aproveitam a oportunidade para assegurar uma maior participação no mercado de automóveis de passageiros que mais rápido cresce no mundo.

    Washington impôs sanções à Turquia, e a Alemanha já anunciou que vai prestar ajuda econômica a Ankara, enquanto os bancos chineses também forneceram empréstimos de bilhões de dólares ao país otomano.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, condenou a chanceler alemã, Angela Merkel, por comprar gás natural russo através do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2), e poucos dias depois, na cúpula entre Merkel e o presidente russo Vladimir Putin, foi confirmado o acordo para o oleoduto, além de um pacto para ajudar a reconstrução da Síria em cooperação com a Rússia.

    Os EUA impuseram sanções econômicas contra o Irã e as empresas de seguros ocidentais deixaram de fazer seguros de transporte de petróleo daquele país. Em resposta a isso, a China decidiu usar petroleiros iranianos com seguros iranianos para suas compras de combustível desse país.

    'Manifesto' alemão

    O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, ressaltou em julho que a Europa "não se deixará intimidar pelo presidente Trump". O chefe da diplomacia alemã propôs um novo sistema de pagamentos internacionais independente da esfera do dólar, um novo sistema de transferências interbancárias e um Fundo Monetário Europeu para proteger as empresas europeias das sanções dos EUA. O titular também sugeriu introduzir um imposto digital às empresas norte-americanas que operam on-line.

    No entanto, o "manifesto" de Maas por enquanto não passa das palavras, segundo escreveu o economista David P. Goldman na revista Asia Times. Segundo ele, tal ocorre porque as empresas europeias não querem testar a determinação dos EUA quando se trata das sanções contra o Irã ou a Rússia.

    Oportunidade para concorrentes dos EUA

    Tanques chineses (imagem ilustrativa)
    © REUTERS / Rafiqur Rahman
    A longo prazo, no entanto, é provável que mudanças significativas nos padrões de investimentos, em resposta à nova assertividade dos EUA, sustenham as ambições euroasiáticas da China, assinala Goldman. Evidentemente, Pequim está disposta a abrir seus mercados para Bruxelas e Tóquio, os principais concorrentes dos Estados Unidos, em troca de sua ajuda durante a guerra comercial.

    Aproveitar a crise financeira turca

    A resposta europeia e chinesa à crise financeira turca, duradoura e exacerbada pelas sanções dos EUA, mostra a rapidez com que as alianças econômicas estão mudando.

    Em vez de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Erdogan está à procura de novos amigos. O Qatar se comprometeu a investir US$ 15 bilhões (R$ 61 bilhões) em projetos e investimentos econômicos na Turquia.

    Além disso, é mais que provável que a China também participe dos planos de recuperação da economia turca, enfatiza Goldman. De acordo com a mídia financeira chinesa The Asset, "a crise econômica na Turquia obriga o presidente Recep Tayyip Erdogan a buscar ajuda financeira, deixando a porta aberta para a China poder aproveitar uma oportunidade imperdível para acelerar suas ambições em relação à iniciativa de Um Cinturão, Uma Rota da Seda na região".

    Segundo o economista, nada disso surpreende: o emirado paga à Turquia pela proteção política e o gigante asiático sempre considerou a Turquia como a ponta ocidental de sua cadeia logística euroasiática.

    A surpresa veio de Berlim, onde o governo de Merkel considera a ideia de apoio financeiro à Turquia em troca da cooperação de Ancara na gestão da crise de refugiados sírios e outras questões.

    A Alemanha, em teoria, é uma aliada dos EUA, e Washington está em plena confrontação com a Turquia pela detenção de um pastor norte-americano, entre outras questões. No entanto, Berlim decidiu explorar as urgentes necessidades econômicas da Turquia para impulsionar sua própria agenda à custa de sua aliança com Washington.

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    Tags:
    guerra comercial, Alemanha, Rússia, China, EUA
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