13:33 24 Abril 2019
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    Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o líder norte-americano, Donald Trump

    Tensões entre EUA e Turquia são muito sérias, afirma analista

    © REUTERS / Asin Bulbul/Kevin Lamarque
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    A Turquia aumentou radicalmente os impostos sobre vários produtos importados dos EUA. Cientista político russo avalia até onde poderão chegar as divergências entre os dois países.

    Em resposta às sanções norte-americanas, a Turquia elevou drasticamente as taxas aduaneiras sobre várias importações dos EUA. Por exemplo, as taxas de importação sobre tabaco aumentam 60%, sobre o álcool — 140%. As tarifas também foram aumentadas sobre automóveis, cosméticos, arroz, frutas e outras importações dos EUA.

    Na sexta-feira passada (10), o líder estadunidense Donald Trump anunciou ter autorizado o aumento das tarifas sobre o alumínio (para 20%) e aço (para 50%) importados da Turquia, causando uma desvalorização histórica da moeda nacional turca.

    Nesta segunda-feira (13), o Banco Central da Turquia prometeu aos bancos nacionais que assegurará a liquidez por meio de reservas financeiras.

    Comentando as tensões entre os dois países, o cientista político, Mikhail Smolin, lembrou que as relações vinham se agravando há muito, principalmente desde a tentativa de derrubar o líder turco na madrugada de 16 de julho de 2016. Para Smolin, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acredita que o golpe teria sido orquestrado por Washington.

    "As tensões são muito sérias: os EUA sob liderança de Trump apostam em Israel como líder da região, mas a Turquia não concorda com isso, tendo ambições de ampliar sua influência no Iraque e na Síria, e os Estados Unidos estão obviamente resistindo a isso. Então temos um conflito se aprofundando", disse o analista para o serviço russo da Rádio Sputnik.

    Apesar disso, opina Smolin, a Turquia não está pronta para sair da OTAN nem para romper as relações com os EUA.

    "O mais provável é que [a Turquia] venha a balançar entre a Rússia e os Estados Unidos, com Erdogan jogando nas contradições. Ou seja, receber preferências tanto de Washington, quando este precisar da Turquia, como da Rússia, quando esta estiver interessada em apoiar o posicionamento turco", opinou.

    Assim, o presidente turco não vai arriscar e manterá relações com ambos, os EUA e a Rússia, mas continuará defendendo seus interesses no Oriente Médio, concluiu o interlocutor da Sputnik.

    As relações entre Ancara e Washington pioraram devido ao caso do pastor evangélico Andrew Brunson, detido pelas autoridades turcas ainda em 2016 por seus supostos laços com o movimento fundado pelo clérigo islâmico Fethullah Gulen, a quem Ancara acusa de ter orquestrado o fracassado golpe militar de 2016.

    No início de agosto, os Estados Unidos anunciaram a imposição de sanções contra o ministro da Justiça turco, Abdulhamit Gul, e o ministro do Interior, Suleyman Soylu, por supostamente terem "papéis de liderança" na prisão do pastor.

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    Tags:
    taxas, tarifas, sanções, Andrew Brunson, Donald Trump, Recep Tayyip Erdogan, Turquia, EUA
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