21:33 19 Outubro 2018
Ouvir Rádio
    Brasil, Anápolis, GO, 19/12/2013. Vista parcial de área do Porto Seco Centro-oeste, em Anápolis (GO)

    Especialista: Brasil é moeda de troca na guerra comercial de Trump com China

    ED FERREIRA / AGE / Estadão Conteúdo
    Análise
    URL curta
    770

    Teria a política comercial dos EUA na China provocado as tensões entre Brasília e Pequim? Segundo economista do Imbec-SP, Roberto Dumas, a culpa seria de Donald Trump.

    Em audiência realizada nesta terça-feira na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, revelou que o Governo avalia tomar "uma ação política mais incisiva" em relação à China, por causa da tarifa antidumping de 38% aplicada por aquele país sobre os frangos importados do Brasil.

    Frango comercializado em um supermercado de Pequim, China (arquivo)
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Essa guerra comercial faz algum sentido? 

    Roberto Dumas, economista do Ibmec-SP, especialista em comércio internacional, alega que não.

    Segundo ele, a China subiu as tarifas sobre o frango alegando a necessidade de levantar e de proteger a indústria nacional. Por outro lado, ainda em fevereiro, Pequim derrubou a taxa de importação de frango dos EUA. Ou seja, Brasil estaria sendo usado como moeda de troca em negociações na guerra de tarifas com os EUA, encampada por Trump.

    "Dizer que o Brasil está destruindo a indústria chinesa é um absurdo", afirmou o especialista, já que o país representa 9% das exportações brasileiras de frango, mas esse montante é menos de 5% do total de frango consumido por chineses.

    No entanto, como os americanos não se decidem se vão ou não sobretaxar o aço chinês, o Brasil fica no meio. 

    "Trump muda de ideia a cada 24 horas", alertou Dumas, que acredita no recuo das tarifas sobre o produto brasileiro.

    "Acredito piamente que essas tarifas sobre o frango devem recuar", disse o interlocutor da Sputnik.

    É tudo culpa de Trump? 

    O economista considera que o presidente dos Estados Unidos está contribuindo para o acirramento das guerras protecionistas, mas não seria a sua causa primária.

    O motivo residiria nos problemas trazidos pela globalização para alguns setores de economias desenvolvidas. 

    A globalização foi vendida como "melhor coisa do mundo", explicou o economista, mas muitos perderam emprego. Foi o que aconteceu no caso do aço norte-americano, mas que foi melhor para economia americana como um todo.

    "Ele não está protegendo [a indústria]. Ajuda poucos e prejudica muitos", alertou o entrevistado, apontando que o principal motivo do desemprego de certos setores foi motivado pelo avanço das tecnologias.

    "Trump é um efeito do descontentamento com a globalização. Assim como o Brexit e aquilo que está acontecendo na Itália", disse o interlocutor da Sputnik.

    Então Trump é um dos líderes políticos das assim chamadas "guerras comerciais", mas não o motivo, concluiu Dumas.

    Mais:

    Mídia revela quem sofrerá mais com a guerra comercial de Trump
    França alerta: EUA têm poucos dias para evitar grande guerra comercial com a Europa
    Trump isola ainda mais os EUA ao travar guerra comercial, diz analista
    FMI: 'Todo mundo perde em uma guerra comercial'
    Tags:
    guerra comercial, Donald Trump, Roberto Dumas, China, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik