14:31 19 Setembro 2018
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    Mar do Sul da China

    Especialista: ações de Washington no mar do Sul da China são provocação e desafio a Pequim

    © AFP 2018 / STR
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    A China acusou os EUA de entrarem em suas águas territoriais. Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik o especialista militar Andrei Golovatyuk explicou o porquê do conflito.

    Navios militares dos EUA entraram sem autorização nas águas territoriais da China, comunicou o porta-voz do Ministério da Defesa chinesa, Wu Qian.

    De acordo com ele, o destroier USS Higgins e o cruzador de mísseis USS Antietam passaram a uma distância de 12 milhas náuticas das ilhas Paracel.

    O Ministério da Defesa chinês qualificou as manobras dos navios norte-americanos como uma provocação, contrária às leis chinesas e às normas internacionais. Além disso, o ministério prometeu reforçar as medidas de segurança no mar e no ar, bem como proteger a soberania do país.

    O Pentágono também comentou o incidente. De acordo com o seu porta-voz, tenente-coronel Christopher Logan, os navios dos EUA operam no mar do Sul da China no âmbito das leis sobre a livre navegação. 

    As ilhas Paracel são um arquipélago no mar do Sul da China situado a 230 quilômetros da China e 200 quilômetros do Vietnã. Desde 1974, a China estabeleceu seu controle sob o território, porém, o Vietnã e Taiwan continuam reivindicando seus direitos sobre as ilhas. 

    Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o coronel e especialista militar Andrei Golovatyuk opinou que os motivos do agravamento das tensões em torno do território disputado são as ações provocadoras dos EUA.

    "Desde 1974, a China começou a estabelecer o controle sobre as ilhas [Paracel], mas elas continuam sendo um território disputado […] Porém, os EUA não reconhecem a jurisdição chinesa. Os norte-americanos, ao passarem a 12 milhas das ilhas, violaram a integridade territorial chinesa, segundo as leis chinesas. Os EUA não concordam com isso e afirmam que podem realizar suas manobras onde quiserem", explicou.

    De acordo com o analista, trata-se uma situação explosiva. 

    "É um desafio para a China e um ato de insolência e desrespeito em relação a Pequim. Agora começarão acusações mútuas. Não gostaria que esse incidente se tornasse um confronto de grande escala já que a região está tão militarizada […] que basta uma faísca para desencadear um grande incêndio. Espero que os chineses demonstrem sensatez e não sucumbam às provocações dos norte-americanos", assinalou Andrei Golovatyuk. 

    Anteriormente, o Pentágono retirou o convite a militares chineses quanto à participação das manobras no Pacífico. O chanceler chinês, Wang Yi, após o encontro com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, qualificou este ato como "não construtivo".

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    Tags:
    manobras navais, provocação, EUA, China
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