21:50 21 Maio 2018
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    Manifestação em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, contra mudanças na estatal

    Petroleiros: mudanças na Petrobras são continuação do golpe

    © Sputnik / Solon Neto
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    Nesta quinta-feira, dia em que o presidente Michel Temer publicou um decreto estabelecendo regras para a venda de campos e blocos exploratórios da Petrobras, a empresa aprovou em assembleia mudanças polêmicas em seu quadro administrativo, sob forte protesto de manifestantes, que acusam o governo de querer entregar a estatal ao capital estrangeiro.

    Na reunião de hoje, a Petrobras aprovou mudanças que permitem o pagamento de dividendos aos seus acionistas com periodicidade trimestral e aumentam para 11 o número de membros no seu conselho de administração. Em uma manobra muito contestada por sindicalistas e representantes de movimentos sociais, foram apontados três novos conselheiros pelo governo, sendo dois deles possuidores de fortes laços com companhias estrangeiras: Ana Lucia Poças Zambelli, que até o ano passado foi vice-presidente da Maersk Drilling, e José Alberto de Paula Torres Lima, cuja carreira é marcada por quase três décadas de serviços prestados à Shell.

    Tais novidades, junto com a venda de ativos da Petrobras e outras medidas anunciadas recentemente, são vistas por críticos ao governo Temer como parte de um  processo de entrega do patrimônio brasileiro a grupos privados e empresas estrangeiras, como disse, em entrevista à Sputnik Brasil, um representante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que participou da reunião desta quinta-feira:

    "Vemos tudo isso com muita preocupação, porque é uma continuação do processo golpista que começou lá no impeachment da presidenta Dilma, depois com a reforma trabalhista, que retirou direitos nossos históricos e que culminou com a prisão arbitrária do presidente Lula. Hoje, o que eles estão fazendo aqui é referendar um processo de desmonte do sistema Petrobras, que é a grande indutora de toda a economia", disse Gerson Castelano, diretor de Comunicação da FUP, afirmando que a participação de membros de companhias concorrentes dentro do conselho de administração da estatal afetará as indústrias brasileiras.

    Castelano diz que a estratégia da FUP na reunião do conselho foi fazer uma avaliação crítica do encontro, convocar acionistas para divulgar as consequências que virão para a sociedade com os atuais planos de governo para a empresa. Segundo ele, a federação também está entrando com ações individuais na Justiça para sustar esse processo.

    "Quando a gente vê a Petrobras vendendo refinarias, a gente lembra o seguinte: nunca foi proibido a nenhuma multinacional construir refinarias no Brasil. Elas que nunca quiseram. Agora, elas querem pegar um patrimônio construído, já pronto, para ser vendido a preço de banana", alertou o porta-voz.

    Também presente no protesto de hoje, Leonardo Ferreira China, integrante do Movimento dos Sem-Terra (MST) do assentamento Campo Alegre, no estado do Rio, disse que o motivo da manifestação em frente à Petrobras era o de denunciar o entreguismo da estatal pelo governo Temer, assim com a série de privatizações que vêm provocando desemprego e outros problemas para a economia. 

    "Ficam dizendo que vai arrecadar não sei quanto. E aquilo que a gente deixa de arrecadar? Só na pauta desse governo golpista para privatização tem mais de 238 empresas que eram estatais e deixarão de ser, e isso vai ter um grande impacto na economia. Não vai melhorar, só vai piorar. A arrecadação que seria nossa estará indo para o estrangeiro. A gente vê um grande exemplo disso aí que é a África, que foi totalmente sugada até ficar o que está hoje", disparou o manifestante.

    O representante do MST diz que, pelos seus recursos naturais, como água, petróleo e biodiversidade, o Brasil está na mira das grandes potências, assim como acontece com outros países, como Síria e Venezuela, que vêm sendo atacados nesse período. 

    "A indicação de Pedro Parente para assumir a gestão da Petrobras é para poder entregar tudo para a iniciativa privada, como já vimos nos leilões dos poços de petróleo do pré-sal. Foi tudo entregue de mão beijada para a iniciativa privada. Eu não consigo pensar por que estou pagando R$ 5 por uma gasolina em um país autossuficiente em petróleo. Vou ficar sem nenhuma refinaria, porque vai ser tudo vendido. Daqui a pouco, vou estar pagando R$ 10 no litro de gasolina", desabafou.

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    Tags:
    protestos, manifestação, privatização, petróleo, Maersk Drilling, Shell, Petrobras, Michel Temer, Rio de Janeiro, Brasil
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