00:57 25 Junho 2018
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    Soldados israelenses monitoram a fronteira Israel–Síria (foto de arquivo)

    Israel não permitirá que Irã avance em direção à sua fronteira, diz analista

    © AP Photo / Ariel Schalit
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    Ataque à base aérea síria (17)
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    O Irã afirmou que o ataque de Israel à base na província síria de Homs não ficará sem resposta. Damasco, por sua parte, declarou que o ataque a Homs não teria sido possível sem apoio dos EUA, advertindo Israel para “consequências perigosas” de seus ataques no território sírio.

    A Sputnik Internacional discutiu o suposto ataque israelense e a situação na região com o Dr. Nir Boms, especialista em Israel e Oriente Médio da Universidade de Tel Aviv.

    Segundo o analista, atacando a base em Homs Israel queria atingir a base iraniana conhecida como T4, a principal base logística que o Irã usa como armazém de armas e outros materiais.

    "Esta é a base que foi utilizada pelo drone que penetrou na fronteira israelense no mês passado. É uma campanha em curso se referindo à afirmação de Israel que ele não permitirá que o Irã se estabilize na Síria e avance suas forças em direção à fronteira israelense", disse Boms.

    Segundo alguns relatos, o incidente em Homs teria sido a primeira vez que Tel Aviv não informou Moscou sobre seu ataque. Porém, acredita o especialista, há um mecanismo de coordenação entre os dois países que continua funcionando, mas é uma questão de coordenação e não de aprovação, pois nem a Rússia nem Israel pediriam aprovação para suas ações um ao outro.

    "Duvido que [o mecanismo] tenha falhado completamente, mas queria dizer o seguinte: há sem dúvidas um entendimento dos interesses mútuos entre Israel e a Rússia quando se trata do Oriente Médio e da área para além dele", opinou Boms.

    Apesar de o analista acreditar que o número de ataques por parte da Força Aérea de Israel vá aumentar, ele afirma que o país judeu está preocupado com as dinâmicas na Síria, especialmente as ligadas ao Irã.

    "Se você está tentando 'estabilizar' fazendo organizações terroristas como o Hezbollah adquirir armas adicionais, quando estas armas são mísseis mais sofisticados, tecnologias que terão mais tarde como alvo Israel", sublinhou.

    Em outras palavras, Tel Aviv não quer ver bases, armas e instalações que estimulem outra guerra na região, fazendo os possíveis para preveni-lo, explica Boms.

    Neste sentido, opina, não é uma questão de disputa apenas entre Israel e o Irã, mas também entre a Rússia e os Estados Unidos.

    Quanto ao futuro da Síria, o analista adverte que a aparente "estabilização" no país após a derrota do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia) pode trazer ainda mais perigos, deixando o país árabe ainda menos independente.

    "Houve uma guerra indireta e agora a Síria está se tornando cada vez mais um estado por procuração; eles têm bases com acesso apenas para os iranianos e têm bases com acesso apenas para os russos", disse Boms.

    Concluindo, o analista afirma que a Síria ainda tem um longo caminho pela frente para alcançar a estabilidade e a ordem. Por enquanto, o país permanecerá guardado por grandes potências que devem negociar entre si para assegurar que a estabilidade na Síria se mantenha no futuro.

    Na noite para segunda-feira, aviões israelenses atacaram uma base aérea síria a partir do território libanês, de acordo com Ministério da Defesa russo. De acordo com a mídia síria, o ataque resultou em vítimas e feridos. Três mísseis atingiram o alvo, outros cinco foram abatidos.

    Teerã, por sua parte, descreveu o ataque contra a base síria como um "crime de Israel", acrescentando que este "não ficará sem resposta".

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    Ataque à base aérea síria (17)

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    Tags:
    base, ataque aéreo, conflito regional, EUA, Síria, Irã, Israel
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