22:00 23 Abril 2018
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    Mulher idosa sentada no quebra-mar do porto de Mytilene, Grécia

    'Morte clínica': por que identidade sexual na Europa está desaparecendo?

    © AFP 2018/ DIMITAR DILKOFF
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    Quando uma nação perde o contato com as suas raízes, substituindo os valores tradicionais por valores artificiais, ela se degrada rapidamente, deixa de criar e desaparece. Isto cada vez mais se verifica na Europa.

    "A Europa só será salva se começarem a nascer mais bebês. Perdemos a ligação com as tradições e estamos destinados a desaparecer", declarou recentemente o filósofo e ex-deputado do Parlamento italiano Eugenio Mazzarella, do Partido Democrático.

    A Sputnik Itália falou com Gianluca Marletta, autor do livro "Unisex — A Criação do Homem sem Identidade", que aborda a perda da identidade sexual e as consequências do desaparecimento dos valores morais na Europa.

    Para ele, a Europa de hoje tem a tendência de "negar" os seus valores, glorificando tudo o que é temporário e inútil. Nenhuma civilização é capaz de prosperar e, o que é mais importante, existir por muito tempo se se baseia em tais princípios contraditórios.

    Eugenio Mazzarella nota que a viragem para os valores não tradicionais começou ainda nos anos 50-60 do século XX por várias razões. Uma delas é a criação de um homem sem tais "limitações" como a família, religião e as ligações sociais, o que levou ao aparecimento do "consumidor ideal", quer dizer um homem que vive para consumir.

    Por outro lado, o individualismo extremo e a falta de ideais levaram a que os cidadãos ocidentais sejam facilmente sujeitos a qualquer influência ideológica.

    Estas mudanças nos europeus ocorrerem graças a revoluções culturais encenadas: o culto das drogas nos anos 60 e 70, a "revolução sexual", e, desde há pouco, a revolução de gênero.

    O especialista nota que, hoje, os homens se tornam cada vez mais parecidos com as mulheres, o que foi resultado dos ataques nos anos 70 na mídia contra as ideias do "masculino" no Ocidente por causa da influência do feminismo. Daí sai a ideia de que o homem tem que abandonar a sua natureza masculina. Tudo isso, ressalta, leva ao colapso demográfico.

    Também Eugenio Mazzarella opina que, hoje em dia, o Ocidente já morreu clinicamente ao perder a sua identidade espiritual e cultural, vivendo um colapso demográfico. Por isso, o autor adverte que o Ocidente deve pensar melhor, caso contrário, se arrisca a ser colonizado pelos imigrantes, mais jovens e com maior taxa de natalidade.

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    Tags:
    morte, feminismo, revolução, valores, demografia, crise, decadência, Europa
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