15:35 14 Outubro 2019
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    Soldados e bandeira da OTAN

    Diplomata: Rússia está disposta a dialogar com OTAN caso esta deixe suas ambições de lado

    © REUTERS / Ints Kalnins
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    Em meio ao aumento da presença da OTAN perto das fronteiras russas e ao congelamento de iniciativas mútuas, é difícil para a Rússia e Aliança negociarem. Mas mesmo assim o diálogo é possível se os países da Aliança deixarem de inventar ameaças e encarem a realidade, acredita o representante da Rússia na OTAN, Aleksandr Grushko.

    Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o representante permanente russo na Aliança Atlântica falou sobre a dinâmica nas relações entre a Rússia e OTAN e também abrangeu as questões de especial importância da atualidade que afetam os dois lados.

    Estrela de rubi de uma das torres da fortaleza do Kremlin. Ao fundo, Grande palácio do Kremlin (foto de arquivo)
    © Sputnik / Aleksei Druzhinin/Anton Denisov/Serviço de imprensa do presidente russo
    O diplomata frisou que, no momento, não tem como falar sobre mudanças significativas no que se trata das relações entre a Rússia e OTAN, já que a Aliança Atlântica está executando a adaptação de seu potencial militar, justificando suas ações pela necessidade de repelir ameaças.

    "Contudo, todo o mundo percebe que estes esforços visam criar uma plataforma para projetar a força em direção a nosso país. É um fator importante que influencia a natureza das relações Rússia-OTAN", assinalou Grushko.

    "Por mais que digam que as medidas no flanco oriental […] é uma 'reação correspondente no que se refere à defesa', percebemos que as forças da OTAN surgiram onde nunca antes estiveram presentes e não deviam estar nesta quantidade e por tais prazos de acordo com o acordo entre a Rússia e a Aliança Atlântica", acrescentou ele.

    Além disso, ele frisou que quase toda a cooperação entre as duas partes, inclusive projetos conjuntos, está congelada, já que todos os esforços positivos acumulados no passado no momento foram arruinados.

    Contudo, Grushko não descartou a possibilidade de diálogo entre a Rússia e a OTAN.

    "Acreditamos que o diálogo seja importante, contudo, ele tem que resultar em alguma coisa", afirmou o diplomata, acrescentando que, por enquanto, a Rússia não vê sinais que provem que a OTAN esteja disposta a restaurar a cooperação e a interagir no que se refere aos interesses em comum.

    Estratégia balcânica

    Quando perguntado sobre a estratégia da OTAN nos Bálcãs, Aleksandr Grushko assinalou que um conjunto de países ocidentais desejaria ver toda a região balcânica como parte da Aliança Atlântica. Contudo, esta tendência pode prejudicar ao balanço regional, bem como à situação na Europa, já que a presença da OTAN nos Bálcãs vem aumentando em contexto do confronto com a Rússia.

    Perseguindo objetivos geopolíticos, a Aliança Atlântica até pode fechar os olhos à desconformidade dos candidatos aos padrões estabelecidos pela OTAN, como revelou o recente exemplo com o Montenegro, que aderiu à aliança neste ano.

    Sanções contra Coreia do Norte não são panaceia

    Comentando os esforços da OTAN para a resolução da crise coreana, o diplomata russo recordou as palavras do secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg. Este destacou que a OTAN não tem um papel na questão coreana. Contudo, ao mesmo tempo a Aliança sublinha que a zona de alcance dos mísseis norte-coreanos abrange vários países integrantes da OTAN.

    Aleksandr Grushko assinala também que na questão das sanções a Rússia apoia a OTAN, contudo, segundo ele as sanções não são uma panaceia. Na sensível questão da crise da Coreia é preciso encontrar outras soluções mais eficazes. O diplomata recordou que a Rússia e a China propuseram uma iniciativa de duplo congelamento, contudo, ela foi ignorada.

    Ameaças crescentes vindas do Afeganistão

    Quanto à questão da situação no Afeganistão, o diplomata russo destacou que o território controlado pelas tropas do país está diminuindo. O Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), derrotado na Síria e Iraque, está concentrando suas forças no norte do Afeganistão. Além do mais, o problema gritante com o tráfico de drogas também faz parte das ameaças provenientes desse país.

    Neste sentido, é importante impedir que o Afeganistão se torne uma zona segura para as organizações terroristas, incluindo o Daesh, frisa o diplomata.

    Contudo, em vez de reforçar a colaboração nesta área, a OTAN rompeu praticamente todos os laços com a Rússia. De acordo com Grushko, antigamente as duas partes trocavam informações sobre ameaças terroristas no Afeganistão. Contudo, esta prática ficou no passado.

    "Caso a OTAN realmente deseje contribuir para a estabilização da situação no país, para a paz, então deve rever aquelas decisões que já foram tomadas e que podem ser chamadas de ‘tiros no próprio pé'", afirmou o diplomata.

    Ações da OTAN correspondem ou não a necessidades de segurança?

    Falando sobre a agenda da Aliança Atlântica, Aleksandr Grushko assinala que a OTAN encara a segurança na Europa de forma especial, criando "ilhotas de segurança", o que contradiz a realidade, acredita ele, uma vez que a segurança pode ser reforçada justamente por meio de esforços coletivos.

    "Não podem ser formadas 'ilhotas de segurança', no mundo de hoje, que enfrenta sérios desafios à segurança, as pessoas somente podem lidar com eles juntando seus esforços."
    Além disso, caracterizando a atividade da Aliança Atlântica, Grushko sublinha que a "ocupação da OTAN é inventar inimigos e formas para sua neutralização", o que, obviamente, está longe das ameaças reais.

    Concluindo, o diplomata frisou que, para resolver os desafios da atualidade, a comunidade internacional deve juntar seus esforços e que a Rússia está disposta a colaborar com todos os que tenham interesse nisso. Contudo, qualquer colaboração deve ser produtiva, visando a derrota do terrorismo, a estabilização da situação e deixando suas próprias ambições geopolíticas de lado.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    obstáculos, colaboração, relações, OTAN, Rússia
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