15:46 22 Janeiro 2018
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    Analista sobre Tratado INF: é preciso monitorar cada passo da parte estadunidense

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    Moscou não admite uso de ultimatos por parte dos EUA, inclusive no que se refere ao Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). Analista militar ressalta que a Rússia não será a primeira a abandonar o tratado, mas não terá outra opção caso isso seja feito por Washington.

    Recentemente, os Estados Unidos acusaram a Rússia de estar desenvolvendo secretamente mísseis de cruzeiro terrestres, violando assim o tratado INF. Washington afirmou que está avaliando a possibilidade de criar sistemas de mísseis de médio alcance caso Moscou viole o tratado respetivo.

    Neste contexto, o Ministério das Relações Exteriores russo declarou que Moscou não admite as tentativas de Washington para usar o método de ultimatos, exercer pressão político-militar e aplicar sanções contra a Rússia.

    Este dia 8 de dezembro, faz 30 anos desde a firmação do tratado INF entre A URSS e os EUA que previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros.

    "Durante todos estes 30 anos, a Rússia segue mantendo um firme compromisso com o Tratado INF, cumprindo-o rigorosamente. Esperamos a mesma atitude dos EUA, que estão interpretando as condições do documento de modo bastante livre", afirmou a chancelaria russa.

    O ministério russo sublinhou que a firmação do tratado desempenhou um papel importante na consolidação da segurança e estabilidade, tanto na Europa como em todo o mundo.

    Comentando as últimas afirmações de Washington, a chancelaria russa afirmou lamentar que nunca foi posta em prática a iniciativa proposta pela Rússia em 2007 de atribuir um caráter universal ao Tratado INF, o que poderia ter ajudado a prevenir os problemas ligados à proliferação de mísseis.

    O analista militar Vladimir Kozin notou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que recentemente os EUA têm por várias vezes violado o Tratado INF, acrescentando que os problemas com o cumprimento do acordo não têm uma correlação direita com a deterioração nas relações russo-estadunidenses.

    "De fato, os norte-americanos começaram a violar o tratado desde 2001, quando começaram a utilizar mísseis-alvo, ou seja, mísseis de treinamento, balísticos e depois de cruzeiro, sem ogivas, claro, para testarem a eficiência do escudo antimíssil global", explicou.

    A Rússia tem mesmo suspeitas que os EUA teriam ocultado parte dos mísseis que deveriam ter sido destruídos, avançou o especialista.

    Kozin, tal como a chancelaria russa, sublinhou que nem a União Soviética, nem a Rússia alguma vez violaram o tratado INF e a parte estadunidense não conseguiu apresentar até hoje fatos que o provassem. Por exemplo, Washington não indica nem o lugar dos alegados testes de mísseis russos, nem o lugar de seu lançamento. Ao mesmo tempo, o analista advertiu sobre ações imprevisíveis dos EUA no que diz respeito ao desenvolvimento de mísseis.

    "O Congresso dos EUA, já durante a presidência de [Donald] Trump, aprovou destinar 58 milhões de dólares [R$ 190,4 milhões] para o desenvolvimento de um míssil balístico de médio alcance de baseamento terrestre. E a atual administração norte-americana tem, em princípio, toda a liberdade de ação. Por isso, é preciso monitorar cada passo da parte estadunidense", afirmou.

    Na opinião de Kozin, a Rússia não vai abandonar o Tratado INF de modo unilateral, mas caso Washington tome essa medida, Moscou não terá outra opção.

    "O tratado é bilateral e, caso uma parte o abandone, a segunda tem o direito de ficar livre dos compromissos", concluiu.

    Há informações que o Tratado INF será incluído na doutrina nuclear dos EUA, alterada pela administração Trump, que poderá mesmo abandoná-lo desde que tenha a carta branca do Congresso.

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    Tags:
    acusações, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), violação, suspeitos, EUA, Rússia
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