11:33 20 Novembro 2017
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    Homem segura a bandeira do Partido de União Democrática (PYD) dos curdos sírios

    Curdos sírios: nossas relações com EUA se limitam ao combate contra terrorismo

    © AFP 2017/ Louisa Gouliamaki
    Opinião
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    Raqqa: do Daesh aos EUA (14)
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    Há pouco, as Forças Democráticas da Síria apoiadas pela coalizão internacional proclamaram a libertação da cidade síria de Raqqa. O copresidente do Partido da União Democrática (PYD) curdo, Salih Muslim, falou para a Sputnik sobre o significado da libertação da cidade, o futuro da Síria depois da derrota do Daesh e as relações entre o PYD e os EUA.

    Comentando a operação antiterrorista realizada em Raqqa pelas FDS, das quais fazem parte as Unidades de Proteção Popular curdas (YPG), Salih Muslim expressou a opinião que esta contribuirá para mudanças significativas.

    "O Daesh [grupo terrorista proibido na Rússia] queria eliminar os curdos em Kobane, mas ele mesmo foi derrotado pelos curdos em sua capital, a cidade de Raqqa. A libertação de Raqqa dos militantes do Daesh contribuirá para mudanças significativas tanto no Oriente Médio como no mundo inteiro", opinou.

    O político sublinhou que na cidade libertada foram encontrados no total 12 armazéns com armas do Daesh. Ele acredita que os terroristas não poderiam ter recebido essas armas sem ajuda alheia, acrescentando que se deve realizar uma investigação para determinar quem foi que as forneceu.

    Muslim se expressou contra a introdução de tropas turcas em Idlib, acusando a Turquia de apoiar grupos jihadistas.

    "A Turquia tentou várias vezes nos enganar com suas tentativas de aproximação, mas não conseguiu seu objetivo. Por isso, tentou nos qualificar de terroristas, chamando o PYD de uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) [considerado terrorista por Ancara]", afirmou ele para a Sputnik Curdistão.

    O interlocutor também abordou a questão da futura organização territorial da Síria após a derrota completa do Daesh. Como a maior parte da população síria é composta por árabes, explicou Muslim, o PYD não tem pretensões de criar um Curdistão sírio independente.

    "Agora, mais de 50% da população de Rojava [território habitado pelos curdos sírios] apoiam a ideia de um sistema multinacional democrático. Se realizássemos um referendo, a maioria votaria a favor da coexistência de povos diferentes neste território e de um sistema multinacional", esclareceu.

    O político não deixou de lado o assunto de cooperação entre o PYD e Washington, afirmando que as relações se limitam apenas ao combate ao terrorismo.

    "Agimos juntamente com os Estados Unidos na luta contra o terrorismo, nos apoiando uns aos outros. Porém, os EUA são uma grande potência que tem seus próprios interesses. Nossas relações com os EUA se limitam ao combate ao terrorismo, não estamos cooperando nem antes cooperamos em outras esferas", destacou.

    Falando das bases que Washington criou na área controlada pelas unidades curdas YPG, violando os direitos de soberania da Síria, Muslim disse o seguinte: "Durante os três anos alcançamos uma certa confiança. Os EUA estão instalando bases na nossa área, pois confiam em nós. Não sabemos por quanto tempo eles permanecerão em Rojava, não temos nenhum acordo quanto a isso", disse, ressaltando que mesmo que o Daesh seja eliminado definitivamente, será difícil eliminar o terrorismo por completo.

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    Tags:
    combate ao terrorismo, relações bilaterais, cooperação, Unidades de Proteção Popular (YPG), Partido da União Democrática (PYD), Daesh, Curdistão sírio, Turquia, Síria, EUA
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