04:38 17 Outubro 2019
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    Procurador-geral da República, Rodrigo Janot (arquivo)

    Especialista diz que Janot teve excesso de pressa e que críticas a Dodge são precipitadas

    José Cruz/ Agência Brasil
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    A Procuradoria-Geral da República do Brasil terá uma mudança na chefia na próxima segunda-feira, 18, com a troca de Rodrigo Janot por Raquel Dodge, escolhida pelo presidente Michel Temer a despeito de "derrota" na eleição interna do Ministério Público Federal. Críticos ao governo afirmam que a troca pode representar uma ameaça à operação Lava Jato.

    Na última quinta-feira, em sua última sessão do Supremo Tribunal Federal na função de procurador-geral da República, Rodrigo Janot se despediu do cargo afirmando ter tido "a honra de ver consolidado o poder investigatório do MP e de presenciar o golpe contra a crônica impunidade que castiga a sociedade" brasileira. Segundo o procurador, embora questionado por muitos sobre sua atuação, ele sai da PGR com a certeza de ter militado até o último instante na defesa dos compromissos constitucionais assumidos. 

    Ao longo dos últimos meses, o trabalho de Janot foi marcado principalmente pelas denúncias contra o presidente do Brasil e outros políticos a ele aliados, no âmbito da operação Lava Jato. Tais denúncias, baseadas em delações de executivos do grupo J&F, causaram grande agitação no país, levando o Planalto e a base aliada de Temer a acusá-lo de agir politicamente em vez de se concentrar apenas nos aspectos jurídicos. Para o professor Antônio Celso Alves Pereira, da Faculdade de Direito da UERJ, universidade da qual foi reitor, as críticas ao procurador-geral não são completamente infundadas, embora seja preciso reconhecer sua grande competência.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Antônio Celso destacou o excesso de pressa de Janot como um fator negativo de sua atuação na Procuradoria nesse último período. Segundo ele, a vontade do procurador de acelerar os processos da Lava Jato antes do final do seu mandato acabou prejudicando a última parte de sua gestão.

    Enquete

    A saída de Rodrigo Janot e a posse de Raquel Dodge como PGR será melhor ou pior para a Lava Jato e para a situação com a corrupção no país?
    • Melhor
      9.0% (83)
    • Pior
      61.9% (573)
    • Não faz diferença
      29.1% (269)

    "Não que as medidas que ele tomou não deveriam ser tomadas. Pelo contrário. Acho que, realmente, pelo teor das denúncias, são coisas muito graves e que exigiam a ação do Ministério Público, para aclarar as coisas. E o país não pode permanecer nessa situação, na qual estamos, ou que o país vinha vivendo até agora, de impunidade. Mas acho que houve uma certa pressa, e isso prejudicou muito o final do mandato dele", disse o especialista, sublinhado o episódio do acordo de colaboração do MPF com os irmãos Wesley e Joesley Batista e outros representantes da J&F e do frigorífico JBS. "Não foi uma coisa muito bem feita. Ele é competente. Ontem, inclusive, o Supremo Tribunal Federal elogiou a ação dele, ele fez o certo. Agora, acho que talvez tenha sido isso, a pressa por causa do interesse dele de fazer isso [as denúncias] antes de terminar o mandato".

    Na próxima segunda-feira, 18, o cargo deixado por Janot será ocupado pela procuradora Raquel Dodge, indicada por Temer depois de ficar em segundo lugar na eleição interna do Ministério Público, quebrando uma tradição estabelecida e levantando suspeitas sobre o interesse do presidente em vê-la preenchendo a vaga. Para muitos, a mudança pode representar uma ameaça real ao prosseguimento das investigações da Lava Jato, dada as grandes diferenças entre Dodge e Janot. Mas, de acordo com Antônio Celso, as críticas à procuradora são precipitadas.

    "Eu acho que nós temos que aguardar. Ela toma posse na segunda-feira e, obviamente, tem uma equipe muito boa. Inclusive, tem procuradores que estão na equipe dela que são de uma ala muito radical, muito dura de atuar", afirmou o professor. "Então, acho que é precipitado qualquer tipo de julgamento agora, de pré-julgamento, do que ela vai fazer. Nós temos que esperar. Ela tem uma carreira muito bonita, construída com muito trabalho, muita honestidade". 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Operação Lava Jato, J&F, JBS, MPF, Procuradoria Geral da República (PGR), UERJ, STF, Raquel Dodge, Wesley Batista, Joesley Batista, Antônio Celso Alves Pereira, Michel Temer, Rodrigo Janot, Brasil
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