02:11 24 Setembro 2020
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    O Comitê Brasileiro de Defensoras e Direitos Humanos (CBDDH) enviou documento à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando a violência no Brasil, especialmente na área rural.

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    Mácio Ferreira/Agência Pará/Fotos Públicas
    Segundo a advogada Layza Queiróz, uma das elaboradoras e redatoras do documento, a decisão de recorrer à ONU e à OEA se deve ao fato das entidades defensoras de direitos humanos não terem obtido a devida resposta do governo brasileiro em relação à gravidade dessa questão, dada à sucessão de chacinas, especialmente na região norte do país.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Layza Queiróz afirmou:

    “O aumento crescente das violações dos direitos humanos no Brasil, principalmente a partir de 2015 e com ênfase nos anos de 2016 e 2017, motivou nossas entidades a enviar esse documento para a ONU e para a OEA. Neste ano, 78% dos assassinatos ocorreram na Amazônia, e a maior parte dos homicídios está ligada a conflitos agrários, envolvendo milícias privadas, latifundiários e o agronegócio.”

    A interlocutora da Sputnik confirmou o objetivo do envio do documento para a Organização das Nações Unidas e para a Organização dos Estados Americanos.

    “Já que não estamos obtendo resultados positivos com o Estado brasileiro, queremos que a ONU e a OEA pressionem o governo para que a violência seja contida e os defensores dos direitos humanos e as populações menos favorecidas sejam respeitados,” afirmou.

    O informe enviado pelo CBDDDH à ONU e à OEA enfatiza casos considerados emblemáticos neste ano de 2017 como as chacinas de Pau D’Arco, no Pará, em maio, quando morreram dez trabalhadores rurais, e de Colniza, em Mato Grosso, onde nove posseiros e agricultores foram executados, em abril; o ataque contra indígenas da etnia Gamela, também em abril, no Maranhão, que resultou em 22 feridos; e o estado de Rondônia que, embora não tenha registrado ataques em 2017, é o que acumula os maiores números de defensores mortos nos anos de 2015 e 2016.

    De acordo com o CBDDH e com a Comissão Pastoral da Terra, órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), até agosto de 2017, foram registradas 59 mortes de defensores de direitos humanos no Brasil. Em 2016, período em que foi registrado o maior número de assassinatos nos últimos 32 anos, 66  pessoas foram mortas. Esses fatos levam a advogada Layza Quieróz a apontar as razões para o aumento da violência nas zonas rurais do país:

    “A gente atribui o crescimento da violência no campo ao fortalecimento do movimento conservador no Brasil, à consolidação de bancadas fortes no Congresso Nacional, aos ruralistas, a todos enfim que se sentem fortalecidos e, por isso, são responsáveis pela violência no campo.”

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    violência, mortes, campo, Layza Queiróz, Brasil
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