06:43 19 Novembro 2017
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    Equipe norte-coreana de taekwondo no Campeonato Mundial de Taekwondo em Seul, Coreia do Sul, em 28 de junho de 2017.

    'Mídia ocidental 'mata' atletas norte-coreanos e eu tinha vergonha de lhes dizer isso'

    © AP Photo/ Lee Jin-man
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    O analista e treinador esportivo sérvio, Branislav Moro, tem certeza que 95% de informações sobre a Coreia do Norte e Kim Jong-un não tem nada a ver com a realidade. Em entrevista à Sputnik Sérvia, o especialista compartilhou sua impressão do país após ter vivido lá.

    Entre 2015 e 2016, Branislav Moro treinou o time de futebol norte-coreano, April 25 Sports Club (Clube Esportivo 25 de Abril) e a seleção nacional feminina de voleibol. Além de se interessar por esporte, Moro acompanhava a situação política e social no país e até se encontrou com Kim Jong-un.

    "Posso dizer que ele é uma pessoa muito simpática e bem-formada. Não é uma surpresa, pois ele se formou na Suíça, onde passou 8 anos e, acredito, terá conseguido perceber o que é bom e o que é mau. Tenho uma impressão completamente positiva daquele encontro", contou o analista sérvio.

    Segundo Moro, a Coreia do Norte é um Estado muito bem organizado que está pronto para os desafios e embora as sanções, sem dúvida, estejam afetando a vida da população, eles não vão passar fome.
    O treinador afirma que 95% das informações sobre o país e seu líder que surgem na mídia ocidental não correspondem nada à realidade. Para provar isso, ele cita um exemplo com um atleta norte-coreano.

    "Estou falando com um atleta norte-coreano que, segundo a mídia ocidental, teria sido morto por maus resultados, e eu tenho vergonha de lhe dizer que ele está, de fato, morto", disse Moro à Sputnik Sérvia.

    Jornalista e especialista em assuntos do Extremo Oriente, Borislav Korkodelovic, diz que a mídia internacional transmite, no melhor dos casos, metade da informação sobre a Coreia do Norte. Segundo ele, com a chagada de Kim Jong-un ao poder, no país começou um desenvolvimento "paralelo".

    "Ele pôs uma grande tônica no desenvolvimento das armas nucleares, mas ao mesmo tempo está sendo realizada uma reforma econômica, o mercado se está tornando mais aberto", diz.

    É claro que existe uma grande diferença entre a vida na capital do país, Pyongyang, e como se vive na província, acrescenta, mas não se pode negar o fato que no ano passado o crescimento do PIB da Coreia do Norte totalizou 3,9%.

    Outro interlocutor da Sputnik, o especialista político Aleksandar Pavic, assinala que a desestabilização da península da Coreia não está na lista de interesses de Pyongyang, enquanto Washington quer manter sua presença militar nesta região. Ele comparou a história da península no século XX com a da Alemanha, que também foi dividida em zonas de interesse das duas superpotências. No entanto, ele duvida que as duas Coreias possam ser reunidas como aconteceu com a Alemanha.

    Isso se deve ao isolamento de Pyongyang e à militarização da península em geral. Além disso, a ideia de uma Coreia unida não é do agrado da China.

    "A reunificação é impossível enquanto se mantiver a retórica atual, enquanto ninguém desistir de exercícios militares em grande escala", opinou Aleksandar Pavic.

    Todos os interlocutores concordam que, caso na península da Coreia comece uma guerra, o responsável não será Pyongyang. Os passos de Kim Jong-un são destinados a manter o sistema existente no país, mas também a realizar o objetivo principal — reunir as duas Coreias, conclui Borislav Korkodelovic.

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    Tags:
    falsa, imagem, mídia ocidental, Kim Jong-un, Sérvia, EUA, Alemanha, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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