13:41 22 Agosto 2017
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    Reunião de líderes de diferentes religiões em Canterbury, Ingalterra, em apoio a vítimas do extremismo no Oriente Médio (arquivo)

    Brasileira defende contranarrativa ao ódio como forma de deter o extremismo no mundo

    Mazur/c atholicnews.org.uk
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    Será que as palavras podem salvar o mundo? A jornalista brasileira Beatriz Buarque acha que sim. E, por esse motivo, ela criou o site Words Heal The World (Palavras Curam o Mundo), reunindo os trabalhos de instituições de diferentes partes do planeta que lutam para combater o ódio extremista e o terrorismo.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Beatriz explicou melhor como surgiu essa ideia e de que forma a informação pode ser utilizada para combater esse tipo de violência, destacando as peculiaridades do caso do Brasil, onde essa discussão ainda não amadureceu. 

    "Eu estava estudando o impacto da internet nessa nova conjuntura de terrorismo na sociedade hoje em dia, e percebi que existem várias instituições que combatem esses discursos de ódio mas que muitas delas nem são conhecidas", disse ela. "Muitas vezes não é um trabalho financiado pelo governo. Elas fazem um trabalho de formiguinha nas comunidades, de modo a prevenir que os jovens se radicalizem, ou até dando apoio a familiares que perderam os seus parentes por causa de terrorismo ou a familiares que, por exemplo, tiveram o filho que se radicalizou. Um trabalho muito importante. Aí, eu decidi, como jornalista, criar um portal para dar mais visibilidade às atividades, aos trabalhos dessas instituições, e também às pesquisas desenvolvidas no mundo inteiro sobre isso".

    Pelo fato de o Brasil não sofrer com problemas de ataques terroristas, o assunto do extremismo no país, segundo a jornalista, acaba recebendo bem menos atenção do que deveria, embora a realidade brasileira não seja tão distante assim da de outras partes do mundo.

    "Na semana passada mesmo, nós tivemos um exemplo aqui de ataque a um refugiado", destacou, se referindo ao cidadão sírio Mohamed Ali Abdelmoatty Ilenavvy, vítima de insultos no Rio de Janeiro. "É uma coisa da qual não estamos completamente livres. Então, temos que discutir a questão do extremismo, temos que trazer isso para a universidade, que é o que eu pretendo fazer no futuro também".

    De acordo com Beatriz Buarque, a importância da guerra travada no setor da comunicação já ficou evidente até para as organizações terroristas, como o Daesh, que paga os maiores salários para os profissionais de mídia que estão a serviço do grupo. Ela acredita que a resistência a essa propagação do ódio deve ser feita com base na mesma ferramenta, a informação. 

    "Tem que ter um trabalho de contranarrativa ao ódio. Se tem uma narrativa de ódio, tem que ter uma narrativa desconstruindo isso."

    O portal Words Heal The World, com apoio da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, apresenta em cinco línguas uma lista das instituições que combatem o extremismo por países. Lá, é possível descobrir o que cada uma delas tem feito nessa área, se informar sobre atividades e eventos e também sobre formas de contribuição.

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    Tags:
    ódio, radicalismo, extremismo, terrorismo, Words Heal The World, Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fembras), Mohamed Ali Abdelmoatty Ilenavvy, Beatriz Buarque, Mundo, Rio de Janeiro, Brasil
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