04:30 17 Junho 2019
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    Ato do movimento Vem Pra Rua em Brasília em apoio à Operação Lava Jato e contra a corrupção

    Coordenadora do Vem Pra Rua explica por que grupo demorou a pedir o afastamento de Temer

    Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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    Um dos principais responsáveis pelas manifestações a favor do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, o movimento Vem Pra Rua lançou um mapa defendendo a saída do atual chefe de Estado, Michel Temer. Em entrevista à Sputnik Brasil, a coordenadora do grupo explicou o motivo de pedir o afastamento do mandatário e o seu posicionamento geral.

    Com o objetivo de pressionar os parlamentares a autorizar que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a denúncia feita Procuradoria-Geral da República contra o presidente, por corrupção passiva, o Vem Pra Rua colocou em funcionamento hoje o seu Mapa Afasta Temer, ferramenta que, nos mesmos moldes do Mapa do Impeachment, do ano passado, mostra o posicionamento de cada deputado em relação à denúncia. Como prevê a Constituição, o STF só poderá dar prosseguimento à denúncia após a aprovação de pelo menos dois terços da Câmara. 

    De acordo com Adelaide Castro, coordenadora nacional do Vem Pra Rua, a ideia é a de que esse monitoramento em tempo real estimule a população a entrar em contato com aqueles deputados indecisos ou contrários ao afastamento de Michel Temer. 

    "A gente acredita que, com o que já foi apresentado, ele, no mínimo, tem que ser investigado", afirmou. "Não dá para jogar a sujeira para debaixo do tapete". 

    Criticado por muitas pessoas pelo fato de ter feito numerosos atos pedindo a queda de Dilma Rousseff e por depois ter praticamente se calado quando surgiram as primeiras acusações contra o presidente Temer e outros políticos, o Vem Pra Rua assumiu a sua posição sobre esse assunto apenas nos últimos dias. Indagada sobre o porquê da demora, a responsável pelo grupo defendeu sua coerência, dizendo que o movimento só passou a pedir o impeachment da petista quando surgiram provas suficientes sobre seu crime de responsabilidade. Segundo Adelaide Castro, o comportamento está sendo o mesmo em relação ao atual líder brasileiro. 

    Panfleto distribuído durante protesto contra o governo de Michel Temer no Rio de Janeiro (arquivo)
    Sputnik Brasil/Jussara Razzé
    "Da mesma maneira, nós nos comportamos agora. Até então, não havia denúncia formal, apenas citações, boatos e indícios. Não havia nenhuma investigação formal. Hoje há uma denúncia formal contra o presidente, e por isso nós julgamos que ele deva ser afastado para ser investigado. E caso seja julgado culpado, que ele seja definitivamente afastado da presidência e perca o cargo."

    Além do Mapa Afasta Temer, o Vem Pra Rua também decidiu realizar atos populares pelo fim da impunidade "em todos os níveis, inclusive em relação ao presidente". O primeiro desses atos está marcado para o dia 27 de agosto, em diferentes partes do país. 

    "Nós queremos que seja célere a justiça. Porque justiça lenta é injustiça. Que essa justiça seja célere o suficiente para dar respostas à sociedade dos vários escabrosos casos de corrupção que nós assistimos todos os dias", destacou Castro. 

    Para 2018, o Vem Pra Rua, de acordo com sua coordenadora, defende uma renovação política, com a subida ao poder de políticos que representem o povo trabalhador brasileiro e que respondam conforme os altos impostos pagos pelo contribuinte.

    "O Brasil inteiro precisa se mobilizar em direção a essa renovação. Não podemos aceitar que isso fique como está. Não adianta tirar um corrupto e colocar outro."

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    Tags:
    Mapa Afasta Temer, afastamento, impeachment, Vem Pra Rua, Michel Temer, Dilma Rousseff, Adelaide Castro, Brasília, Brasil
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