07:06 23 Agosto 2017
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    Segundo especialista, Brasil e Rússia vivem momento de grande estabilidade no comércio de proteína animal

    Especialista destaca papel do setor agropecuário no fortalecimento dos laços Brasil-Rússia

    Fotos Públicas / FMVZ / USP
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    Impossibilitado de acompanhar a delegação que viajou para a Rússia com o presidente Michel Temer, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, falou com a Sputnik sobre a importância dessa visita para o mercado nacional de pecuária, destacando o grande papel da Rússia na manutenção das exportações brasileiras de carne.

    De acordo com o especialista, que também é presidente da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo e foi ministro da Agricultura durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, essa missão do presidente Temer é, antes de tudo, uma demonstração clara de que o Brasil pretende manter e estreitar cada vez mais negócios com a Rússia, a fim de elevar os valores do atual comércio bilateral. Para que isso aconteça, o setor agropecuário deve ser um dos mais fortalecidos nessas relações.

    Turra destaca que a importância dessa área para os laços entre Brasil e Rússia ficou muito evidente no comportamento de Moscou em relação aos exportadores brasileiros de proteína animal quando do recente escândalo provocado pelas revelações da operação Carne Fraca, que desvendou uma série de irregularidades cometidas por algumas empresas brasileiras do ramo.

    "A Rússia teve uma postura, no caso da proteína animal, muito evidente, muito tranquila, compreendendo e acreditando no Brasil. Não teve nenhum momento de paralisia dos nossos negócios, manteve regularidade nas importações", afirmou o ex-ministro. "Nunca houve tanta estabilidade nas exportações e nas importações, por parte dos russos, de proteína, como agora", acrescentou, sublinhando que 85% do que a Rússia importa de carne de aves e suínos têm origem no Brasil.

    Sobre a possibilidade de o Brasil passar a importar carne bovina da Rússia, um dos pontos previstos na agenda desses novos entendimentos entre os dois países, Francisco Turra admitiu que desconhece que tipos de cortes de carne os russos estariam interessados em exportar para o mercado brasileiro, mas destacou que essa aproximação, como um todo, é legítima, no que diz respeito à ampliação das trocas. 

    "O próprio embaixador nos disse, quando esteve aqui na ABPA [Associação Brasileira de Proteína Animal]: 'meu desejo é fazer com que o Brasil tenha, em breve, negócios na ordem de US$ 10 bilhões, e não de US$ 2,5 bilhões, como temos hoje. Nós precisamos incrementar negócios, e vamos fazê-lo trabalhando'", afirmou, acrescentando que, depois desse encontro com o embaixador Sergei Akopov, as duas partes fizeram reuniões com empresários, em Brasília, envolvendo inclusive outros setores.

    Durante a X Comissão Intergovernamental de Cooperação (CIC) Brasil-Rússia, no final do mês passado, Turra afirmou que Brasil e Rússia possuem há muito tempo um relacionamento maduro em diversos setores, e que a expectativa é a de que novas oportunidades possam surgir para variadas "áreas nas quais o Brasil carece de investimentos, especialmente neste momento econômico".

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    operação carne fraca, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo, Sergei Akopov, Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Turra, Moscou, Brasília, Rússia, Brasil
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