16:47 21 Agosto 2017
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    Kim Jong-un o líder da Coreia do Norte

    Coreia do Norte não quer seguir os passos de Saddam e Kadhafi

    © Sputnik/ Ilia Pitalev
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    Cidadão da Suíça Felix Abt é um dos poucos estrangeiros que viveu e trabalhou na Coreia do Norte durante sete anos inteiros. Apesar das sanções, este empresário conseguiu contribuir para as relações comerciais entre Coreia do Norte e a Europa.

    Abt critica o embargo ocidental e considera que a Coreia do Norte não vai iniciar a guerra unilateralmente.

    Felix Abt foi um dos 12 estrangeiros que trabalhavam e viviam em Pyongyang. No ano de 2005, ele e os outros fundaram a associação comercial European Business Association. Esta união se tornou uma câmara de comércio estrangeira na Coreia do Norte. Posteriormente, uma instituição semelhante foi fundada pelos chineses. A câmara europeia ajudou as empresas europeias a se consolidarem na Coreia do Norte e às norte-coreanas a encontrarem parceiros na Europa.

    O homem de negócios destacou que as grandes empresas europeias, bem como as médias, com o tempo perderam o interesse pela Coreia do Norte, porque receavam que por causa de sua pequena presença no país elas podiam perder os grandes mercados da Europa. Agora, a câmara europeia já não funciona, comunicou Felix Abt, mas a chinesa ainda existe.

    A ONU proibiu a exportação para a Coreia do Norte de salame italiano, queijo francês, relógios suíços, Mercedes usados, batons da América, mas Abt está muito preocupado com outro problema.

    Neste ano, depois da aprovação de uma proposta dos Estados Unidos, a ONU proibiu a importação dos produtos mais importantes da Coreia do Norte: carvão, metais e minerais. "Se a China, o principal parceiro comercial da Coreia do Norte, aplicar plenamente o embargo, seguidamente a Coreia do Norte perderá de imediato praticamente todos seus ingressos em divisas", afirma o especialista à Sputnik Alemanha.

    Sem divisas Pyongyang não será capaz de importar nada. "Isso será um golpe duro para a economia e para muitos cidadãos da Coreia do Norte que vivem das receitas do comércio de mercadorias importadas. Neste caso, o crescimento econômico dos últimos anos pode abrandar muito, e o resultado poderá ser uma grande fome como a dos anos 90", concluiu o empresário.

    Entretanto, Abt destacou que durante os últimos 15 anos o nível de vida aumentou significativamente no país, não só na capital, mas também na zona rural.

    "A Coreia do Norte esteve observando de perto os acontecimentos no Iraque e na Líbia. Saddam e Gaddafi não tinham nada com que pudessem assustar o Ocidente para evitar a guerra contra eles. Por isso, as autoridades da Coreia do Norte não vão renunciar às armas nucleares para se assegurarem que não sofrerão o mesmo destino. Porém, não vão ser os primeiros a usar estas armas, porque isso, sem dúvida, significaria seu fim", destacou Abt.

    Falando sobre as medidas de Trump para conter a Coreia do Norte, Abt observou que será necessário ter em conta os interesses da Coreia do Norte na área de segurança. Por exemplo, segundo o empresário, um possível compromisso seria Pyongyang desistir da criação de mais armas nucleares, mas obter o direito de manter as que tem agora.

    O empresário lembrou sobre a guerra ente os EUA e a Coreia, da qual muitos se esquecem. Mas, segundo ele, os coreanos conhecem o sofrimento que é causado pela guerra e por isso eles não querem uma segunda guerra na Coreia.

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    Tags:
    associação, armas nucleares, negócio, exportação, Coreia do Norte
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