21:41 22 Agosto 2019
Ouvir Rádio
    Protesto contra o presidente eleito dos EUA Donald Trump em São Francisco, EUA (foto de arquivo)

    Trump podia sofrer o impeachment já, diz historiador que previu a sua vitória nos EUA

    © AP Photo / Jeff Chiu
    Análise
    URL curta
    643

    O escândalo envolvendo a demissão do ex-diretor do FBI, James Comey, poderia custar o cargo do presidente norte-americano Donald Trump neste exato momento do mandato. Quem diz isso é aquele que previu a sua vitória nas eleições de 2016.

    O historiador Allan Lichtman foi uma das vozes isoladas a dizer que Trump venceria a corrida à Casa Branca. Desde 1984 ele sempre acertou o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos. E ele acredita que a demissão de Comey é “muito mais séria” do que está sendo noticiado.

    “Ele poderia sem dúvida sofrer o impeachment agora. Sem dúvida ele já obstruiu a Justiça e já violou a cláusula de emolumentos [sobre receber presentes de governos estrangeiros]. Não estou dizendo que devemos acusá-lo agora, estou pedindo uma investigação de impeachment”, disse Lichtman à revista Newsweek.

    O historiador sabe do que fala. Ele já escreveu um livro (‘The Case for Impeachment’, ou ‘O Caso para Impeachment’, em tradução livre) sobre o assunto.

    Comey liderava a investigação a respeito do suposto envolvimento da Rússia na campanha presidencial dos Estados Unidos, com supostos laços com Trump e seus funcionários. Quem acompanha de perto sente que os investigadores estão próximos do alto escalão do atual governo.

    Oficialmente, a demissão de Comey foi atribuída ao seu desempenho na apuração do vazamento de e-mails da então adversária de Trump nas eleições, a democrata Hillary Clinton. Todavia, opositores do presidente não têm dúvidas que, ao se recusar a parar com a investigação, Comey foi demitido.

    “Vemos relatórios credíveis de que ele pode ser culpado de obstruir a justiça na investigação do FBI, primeiro exigindo lealdade a ele pessoalmente do homem que o investigou", disse Lichtman.

    “Isso é bastante obstrução flagrante da Justiça. E então, demitindo o diretor Comey e, em seguida, na verdade, mentir inicialmente, ou ter sua equipe mentindo na sua direção, sobre as razões para a demissão”, continuou o historiador.

    Na próxima semana, Comey irá depor aos investigadores e, espera-se, dará detalhes sobre os motivos que possam ter causado a sua demissão do FBI. Além disso, ventilou-se na mídia dos EUA que o genro de Trump, Jared Kushner, possa estar no centro da investigação por ser o elo entre o republicano e o Kremlin.

    Para Lichtman, o caso pode superar em muito a comparação que tem sido feita com o escândalo Watergate, que custou o cargo do presidente republicano Richard Nixon, nos anos 1970.

    “No que Trump se envolveu é muito mais sério porque envolve uma potencia mundial e a segurança nacional do país”, avaliou. Se tudo o que se comenta ficar comprovado materialmente, um processo de impeachment seria apenas questão de tempo. E com o apoio maciço dos republicanos, na opinião de Lichtman.

    O historiador classifica hoje o impeachment do presidente dos EUA como “inevitável”. Mas enxerga a chance dele seguir o caminho trilhado por Nixon: o da renúncia.

    “Ao longo de sua carreira profissional, Donald Trump foi o mestre em não assumir as suas responsabilidades […]. Ele pode evitar a prestação de contas novamente, renunciando. Afinal de contas, não é como se ele voltasse para algum casebre lá fora na floresta”, completou, lembrando o império empresarial que o espera fora da Casa Branca.

    Mais:

    Mídia: Genro de Trump seria o elo entre presidente dos EUA e Rússia
    Impeachment à vista? Senado quer documentos sobre relação entre Trump e Comey
    Paul Ryan: 'Memorando de Comey sobre reunião com Trump deixa perguntas sem resposta'
    Congressista dos EUA pede impeachment de Trump em discurso na Câmara
    Tags:
    opinião, política, impeachment, James Comey, Allan Lichtman, Donald Trump, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar