18:21 18 Junho 2018
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    A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) promove audiência pública para debater a influência da Rússia no cenário geopolítico mundial

    Debate em Brasília: A Rússia respeita a soberania de cada país

    Moreira Mariz / Agência Senado
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    A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal promoveu audiência pública de seu ciclo de painéis sobre a atual conjuntura global. O tema do debate foi o papel desempenhado pela Rússia na geopolítica mundial.

    Como debatedores, compareceram o Coronel do Exército Marco Antônio de Freitas Coutinho, que foi adido militar do Brasil em Moscou, o jornalista português Carlos Fino, que trabalhou como correspondente da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) na Rússia durante a dissolução da União Soviética, e os economistas Gustavo Trompowsky Heck, presidente da ADESG (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra), e Lenina Pomeranz, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP – Universidade de São Paulo.

    O Professor Gustavo Heck falou com exclusividade à Sputnik Brasil, destacando a importância da iniciativa da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

    "[No evento] foi bem marcado se nós estaríamos diante de um momento em que vamos erguer barreiras ou se vamos criar pontes", comentou Heck. "A proposta do Presidente Vladimir Putin é muito clara, é uma proposta de consolidar a posição da Rússia como uma potência mundial. Evidentemente que a proposta de Putin tem um rebatimento um pouco no bloqueio que a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] começou a fazer, na medida em que ela foi trazendo para o seu alinhamento alguns países que compunham o antigo Pacto de Varsóvia. Então, quando Putin dá início a esse processo [afirmar a Rússia como potência mundial], ele está extremamente preocupado com o cerco que a OTAN foi fazendo, agregando esses países, até culminar com o episódio da Ucrânia."

    O presidente da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra explica seu raciocínio:

    "Por quê? Porque a Ucrânia tem uma população eminentemente russa, falante do idioma russo, e possui também uma forte base industrial. Por isso que, quando a Europa [a União Europeia] tentou atrair a Ucrânia – e, por debaixo dos panos, também a OTAN–, houve a reação da Rússia. Os dois países possuem uma ligação muito forte: a Rússia precisa da Ucrânia e a Ucrânia precisa da Rússia."

    Também falando com exclusividade para a Sputnik, a Professora Lenina Pomeranz, que está prestes a lançar um livro sobre a transição do socialismo soviético para o capitalismo russo, destacou:

    "A posição da Rússia na geopolítica internacional é muito importante. A Rússia é um dos atores principais, e eu vejo hoje o mundo num processo de transformação muito grande, com muitas incógnitas. Nós não sabemos para onde caminhamos, e nesse contexto nós temos a Rússia como um player, um jogador importantíssimo. A Rússia quer respeito, respeito mútuo, e que não haja interferências nas questões internas dos países, que sejam respeitadas as leis e as relações internacionais. Enfim, a Rússia se coloca como um ator que defende a participação de todos sem interferências, e eu acho que ela caminha nessa direção."

    Lenina Pomeranz conclui: "Em relação ao Brasil, creio que vão prosseguir bem as boas relações que o país mantém com a Rússia, independentemente das posições vigentes no Ministério das Relações Exteriores do Brasil, de que o país deve intensificar seu relacionamento com os Estados Unidos. E eu também não creio que esta maior aproximação vá causar qualquer problema para o país no âmbito dos BRICS. A Rússia, como disse, respeita a soberania de cada país." 

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    Tags:
    geopolítica, relações bilaterais, relações comerciais, relações estratégicas, BRICS, OTAN, Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), Vladimir Putin, Lenina Pomeranz, Gustavo Trompowsky Heck, Fernando Collor, Ucrânia, Rússia, Brasília, Brasil
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