00:35 20 Novembro 2019
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    Imagem do mapa que mostra ilhas disputadas no mar do Sul da China, Pequim, China

    Opinião: China demonstra interesse em assumir liderança na garantia da segurança regional

    © AFP 2019 / GREG BAKER
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    Em matéria exclusiva da Sputnik China, o especialista russo em assuntos militares, Vasily Kashin, comenta as disposições mais marcantes do documento oficial recém-divulgado sobre a política chinesa quanto à segurança na região asiática.

    O Livro Branco sobre a política chinesa na área de cooperação de segurança na Ásia-Pacífico, divulgado em 11 de janeiro pela assessoria de imprensa do Conselho de Estado da China, revela os detalhes da opinião de Pequim relacionada à manutenção de paz e estabilidade na região.

    Anteriormente, autoridades chinesas já fizeram várias declarações sobre esse tema, tanto de modo independente como juntamente com a Rússia. Por exemplo, o novo Livro Branco (por tradição, estes são os documentos oficiais que traçam alicerces e propostas em domínio especifico da política do Estado) referencia o discurso de Xi Jinping na Conferência sobre Interação e Medidas de Construção de Confiança na Ásia em 2014, que, por sua vez, também incluía ideias já expressas.

    Entretanto, essa é a primeira vez que a visão das autoridades chinesas sobre segurança regional é expressa com tantos detalhes, assinala o especialista.

    "A publicação de um documento tão pormenorizado pode ser entendida como sinal de que a China esteja disposta a assumir liderança na manutenção da paz na região, a debruçar-se sobre a elaboração das regras do jogo na Ásia em conformidade com o poderio e influência obtidos ao longo dos últimos anos. Deste modo, o Livro Branco é um passo importante para a China na formação do seu padrão político como potência militar", explicou Kashin à Sputnik China.

    Ao contrário do Livro Branco sobre a estratégia militar, publicado em 2015, e os Livros Brancos sobre a segurança nacional anteriores, o documento em questão é focado nos aspetos positivos das relações entre a China e os principais participantes políticos na Ásia.

    "Até mesmo o que diz respeito às relações sino-americanas e nipo-chinesas, destaca-se o lado positivo destes laços, embora seja reconhecida a existência de uma série de problemas e ameaças. A atual cooperação estratégica com a Rússia foi extremamente bem avaliada", frisa o especialista ao analisar o documento.

    Vale ressaltar também que, o conceito de segurança regional da China defende a continuidade dos mecanismos de diálogo sobre as questões de segurança já estabelecidas na Ásia do Leste, prontificando-se usá-las e se basear nelas ao invés de criar alternativas para as mesmas, continua o especialista.

    O livro enumera os mecanismos de segurança já existentes e os caracteriza tendo a China como participante deles, sendo que "a Organização para Cooperação de Xangai, a única organização criada por iniciativa chinesa, ocupa o penúltimo lugar entre estes mecanismos". A China não considera importante o papel desta estrutura fora da Ásia Central, mesmo sendo evidente o crescimento da organização graças à adesão da Índia e Paquistão, pormenoriza Kashin.

    De modo escrachado, a China está promovendo uma ideia para resolver os problemas da segurança regional baseada em um consenso amplo entre as potências regionais, evitando internacionalização dos conflitos, apresentação a entidades judiciais internacionais e envolvimento de forças estrangeiras.

    "Aconselha-se que os países pequenos evitem os jogos de politica de coalizões e criação de alianças com grandes potências. Tal padrão de relações, de modo natural, contribui para a promoção dos interesses da China que vai resolver os problemas no âmbito de um diálogo bilateral conduzido, na maioria dos casos, com personagens muito menores e menos influentes no palco internacional", detalhou o especialista militar.

    Ao enumerar as principais ameaças para a segurança regional, a China evita mencionar o problema de Taiwan, embora, recentemente, tenha havido tendência de agravamento desta questão. "Evidentemente, a China está frisando que a questão é interna e não pode ser objeto de discussão ampla internacional", observa Kashin.

    Podemos assumir, diz o analista, que a publicação do Livro é um passo para revitalizar a diplomacia chinesa em questões mais importantes de segurança, tanto regional como internacional, inclusive o assunto da defesa antimíssil, não proliferação, situação no mar do Sul da China e muitos outros.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    documento, cooperação estratégica, segurança, região, Organização para Cooperação de Xangai, Taiwan, Ásia-Pacífico, China
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