15:17 06 Dezembro 2019
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    Guarda Nacional da Venezuela vigiando a fronteira

    Defesa Civil de Roraima: 'Fechamento da fronteira pela Venezuela agravou os problemas'

    © REUTERS / Carlos Eduardo Ramirez
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    Somente à zero hora de sexta-feira (de 15 para 16 de dezembro) deverá ser reaberta a fronteira da Venezuela com o Brasil, na área entre as cidades de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, e Pacaraima, no Estado de Roraima. O fechamento está em vigor desde a zero hora da terça-feira, 13, por determinação do Presidente Nicolás Maduro.

    A fronteira da Venezuela com a Colômbia também está fechada por igual período, segundo o cônsul-adjunto venezuelano em Roraima, José Martínez. A alegação do Presidente Nicolás Maduro é de que quadrilhas estão retendo notas de 100 bolívares para fazer o câmbio na Venezuela e lucrar com a troca. O Governo venezuelano tem feito veementes apelos à população do país para que detentores destas notas procurem os bancos e façam a troca por cédulas de outros valores. Maduro argumenta que o sequestro das notas de 100 bolívares pelos especuladores provocou o seu desaparecimento na Venezuela.

    Medida teria como objetivo evitar o contrabando de notas de 100 bolívares
    © flickr.com / Cristóbal Alvarado Minic

    Decreto oficial do Governo venezuelano determinou o fechamento da fronteira por 72 horas com o argumento de "combater as máfias" que fazem contrabando da moeda nacional e também de alimentos e outros insumos que estão em falta no país.

    Maduro, que acusa grupos da Colômbia e do Brasil de guardar papel-moeda da Venezuela para retirar a oferta das cédulas em circulação, diz que estas organizações querem desestabilizar a economia venezuelana. Segundo o presidente, uma organização não governamental dos Estados Unidos estimula o que chama de máfia em atuação contra os interesses da Venezuela.

    Em seu programa de televisão do último domingo, Nicolás Maduro disse à nação venezuelana ter decidido "tirar de circulação as cédulas de 100 bolívares nas próximas 72 horas e dar um prazo prudente para que os que possuam cédulas de 100 bolívares o declarem perante os bancos públicos e perante o Banco Central".

    A Venezuela enfrenta grave crise financeira e a sua moeda vem perdendo valor com a alta inflação. Um dólar equivale a 670 bolívares. O Banco Central da Venezuela lançou recentemente papel-moeda nos valores de 20 mil, 10 mil, 5 mil, 2 mil, mil e 500 bolívares, e três moedas, de 100, 50 e 10 bolívares.

    Para o Coronel Edivaldo Amaral, secretário estadual de Defesa Civil de Roraima, o fechamento da fronteira entre Venezuela e Brasil só agravou os problemas dos dois países:

    "Temos um fluxo migratório muito grande de venezuelanos para Pacaraima, em Roraima. E, com a interrupção deste fluxo, o comércio local já sente o impacto na queda do movimento. Isto deixa os comerciantes preocupados com o funcionamento de suas lojas, e os venezuelanos que conseguiram emprego aqui estão ameaçados de perder suas colocações. Nós criamos um Centro de Referência para Atendimento aos Migrantes da Venezuela, mas também temos nossos problemas para enfrentar. O Governo Federal ainda não enviou qualquer ajuda para a Governadora Suely Campos (PP), e somente os recursos estaduais são insuficientes para atender às necessidades de brasileiros e venezuelanos que se encontram em Pacaraima."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    economia, máfia, fronteira, Defesa Civil, Nicolás Maduro, EUA, Colômbia, Roraima, Venezuela, Brasil
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