17:08 25 Outubro 2020
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    Eleições nos EUA (112)
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    Giulietto Chiesa, jornalista, ex-deputado do Parlamento Europeu e colunista da Sputnik Itália fala sobre os bastidores da campanha eleitoral norte-americana.

    Hillary Clinton vai ganhar estas eleições. Se algum dia elas terminarem. Nisto, não há dúvida. Ela deve ganhar. Não tem outra opção. Foi isso que decidiu a elite de ambos os partidos políticos norte-americanos. Esta decisão foi tomada por unanimidade pela chefia dos partidos Democrata e Republicano. Esta é uma nova versão do "Consenso de Washington". Ao longo de muitos meses, todos os principais centros de pesquisa em Washington têm tentado resolver a seguinte charada: quem e como irá executar o novo programa político que prevê um confronto com a Rússia e o resto do mundo.

    Conselho do Atlântico, Instituto Brookings, Instituto Americano de Negócios e muitas outras instituições de pesquisa não perderam tempo em vão. Falta pouco, e não se pode perder mais. Mas de um lado está a elite, do outro, os eleitores. Custou um grande esforço fazer uma boa apresentação de Hillary Clinton no decorrer da corrida presidencial. Mas, apesar de todas as medidas de precaução, da liderança da candidata democrata nas pesquisas, de todas as informações que vieram à tona (tanto positivas como aquelas que tiveram consequências desastrosas), e apesar de todos os principais centros de influência terem arrastado Trump pela lama, a margem entre os candidatos é quase nula. Este é um sinal ruim.

    Donald Trump já mostrou que não é qualquer um. Ele ganhou as primárias no seu próprio partido (os republicanos não queriam que ele se tornasse seu candidato, e fizeram todo o possível para evitar que ele fosse eleito, recorrendo até mesmo a golpes baixos). Entretanto, ele conseguiu alcançar resultados significativos ao atrair o voto de centenas de milhares de pessoas que normalmente não participam das eleições.

    A ameaça principal para os EUA, que é encarnada em Trump, consiste no fato de ele expressar a opinião de grande parte do eleitorado que se opõe ao governo atual. Estas pessoas odeiam os políticos que estão no poder e a corrupção.

    O sarcasmo dá para ser sentido nas palavras de Gore Vidal, "democracia americana é uma águia de duas asas: ambas são direitas". A experiência norte-americana mostra que é possível voar mesmo em tais condições, caso a economia permita. No momento atual, ela não está permitindo, e é pouco provável que a situação mude em um futuro próximo.

    Deste modo, há uma possibilidade de milhares de norte-americanos, que nunca votaram, irem às urnas neste ano. Essas pessoas não participam das pesquisas, mesmo daquelas que não são organizadas pelos centros de pesquisa governamentais.

    Será que a elite bipartidária se submeterá à necessidade de corrigir a situação no último minuto? Duvido. O mais provável é que eles estejam preparando um plano B. Para tal, foi remetida uma "saída" inexplicável do vice-presidente Joe Biden, que se dirigiu à população através da TV para falar que a Rússia pode introduzir "alterações globais" aos resultados das eleições norte-americanas.

    Talvez a chefia dos EUA, que sabe interpretar os "metadados" providos das redes sociais, tenha notícias ruins que não pode partilhar. Deste modo, se algo não sair como esperado, sempre é possível atribuir a culpa pelos resultados indesejáveis a Putin. Ou falar que Trump é só um fantoche russo.

    Sim, uma superpotência que não é capaz de manejar suas próprias eleições cria uma impressão bem cômica.  Mas falando a verdade, será que os EUA podem ser governados pelo presidente eleito pela Rússia? Claro que não! Pelo amor de Deus! Seria melhor não ter presidente nenhum. Eis um conselho para os norte-americanos: não entendam nada pelo evidente.

    A opinião é do colunista da Sputnik Itália e pode não corresponder à editorial.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Eleições nos EUA (112)

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    opinião, previsão, corrida presidencial, democracia, eleições nos EUA, Partido Democrata, Partido Republicano, Instituto Brookings, Casa Branca, Joe Biden, Hillary Clinton, Donald Trump, Rússia, EUA
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