08:02 26 Setembro 2017
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    Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.

    'OTAN se preocupa com cooperação energética entre Rússia e Turquia'

    © Sputnik/ Sergey Guneev
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    Os ministros da Rússia e da Turquia vão discutir os principais projetos na área de energia em uma reunião na Rússia no final de julho.

    Isto foi dito aos jornalistas pelo primeiro vice-ministro de Desenvolvimento Econômico da Federação da Rússia Aleksei Likhachev nas margens da cúpula de ministros da Economia do grupo G20.

    "No nosso comum entendimento, tendo em conta as conversas com [o ministro da Energia da Rússia] Aleksandr Novak, serão abrangidas questões da agenda energética, incluindo os grandes projetos", disse Likhachev respondendo à pergunta sobre a possibilidade de discutir com a Turquia o projeto de gasoduto "Fluxo turco" (Turkish Stream).

    No sábado, o ministro da Economia da Turquia Nihat Zeybekci também disse que os ministros da Energia russo e turco vão negociar o projeto Turkish Stream, o qual foi suspenso em dezembro de 2015.

    "Estes problemas [sanções do lado russo] não afetaram o Turkish Stream. Definitivamente, as negociações sobre este assunto vão continuar. Os ministros da Energia (da Turquia e da Rússia) também se reunirão", disse ele.

    Será possível um avanço nas relações comerciais entre os dois países depois da reunião dos ministros da Energia?

    O cientista político e professor da Universidade da Economia da Câmara de Comércio e Tecnologia e Bolsa da Turquia em Ancara, Togrul Ismail, observou que, durante o período da crise russo-turca, as relações econômicas não sofreram tão gravemente, mas o processo de resolução de problemas políticos e jurídicos pode levar algum tempo.

    O cientista político assinala que a crise não pode enfraquecer os laços comerciais entre os dois países no sector da energia, porque a Rússia é um dos maiores fornecedores de energia para a Turquia e a Turquia é um importante comprador do gás russo. Falando de grandes projetos energéticos, principalmente do gasoduto Turkish Stream, Togrul Ismail disse:

    "A Rússia vê o projeto do ponto de vista geopolítico, enquanto a Turquia ressalta a componente econômica, considerando que a implementação do projeto irá garantir a segurança energética do país. As partes não recusaram qualquer dos projetos discutidos anteriormente, o trabalho nesta área continua se realizando".

    De acordo com o especialista, porque a Turquia não se juntou às sanções que a UE e os EUA impuseram contra a Rússia, a UE pode tentar fazer alguma pressão sobre a realização dos projetos energéticos russo-turcos, mas o especialista põe em dúvida que isso vá ter um efeito apreciável. A resistência maior pode vir da parte da OTAN. A Turquia, nesse aspeto, poderá sofrer algumas dificuldades, mas mesmo durante a Guerra Fria, a Rússia realizava comércio energético com a Europa. Por isso, Togrul Ismail não acha que essas dificuldades possam ter um impacto negativo sério nas relações econômicas russo-turcas.

    De acordo com Togrul Ismail, a Turquia e a Rússia chegaram a uma fase das relações, quando os problemas podem ser resolvidos graças à expressão da vontade política dos dois lados. O cientista acredita que o embargo alimentício, as sanções de turismo e os problemas no serviço de alfândega podiam ser muito fácil e rapidamente superados pelas autoridades dos dois países.

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    Tags:
    normalização, economia, energia, gás, petróleo, gasoduto, OTAN, Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan, Rússia, Turquia
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