14:04 25 Setembro 2017
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    Cartaz de apoio à saída da Grã-Bretanha da União Europeia

    Como satisfazer o povo sem sair da UE?

    © flickr.com/ Paul Lloyd
    Opinião
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    Brexit: reações e consequências (121)
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    O jornalista e comentarista russo Viktor Marakhovsky expõe sua opinião fora do comum sobre o processo do Brexit em seu artigo no site do RT.

    O especialista, se dirigindo aos leitores do site, assegura que todos sabiam que nunca haveria o Brexit e que as casas de apostas davam 4 para 1 que o Reino Unido não sairia da União Europeia. Os realizadores de pesquisas de opinião pública também previam 52% dos votos contra a saída da UE.

    Mesmos líderes eurocéticos, ontem (23) à noite o líder da campanha a favor do Brexit Nigel Farage profetizou com muita consternação sua derrota.

    Todos sabiam que nunca haveria uma saída do Reino Unido da UE tendo em conta coisas evidentes:

    • O desmoronamento da UE não é proveitoso para a elite europeia, incluindo a do Reino Unido. A União serve como uma caução da existência destas elites.
    • Os Estados Unidos são contra o desmoronamento da UE. Foi em vão que eles tinham criado funcionários europeus dóceis ao longo de muitos anos? Entretanto, será mais fácil induzir os países do Velho Continente para aderirem ao TTIP (o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento) em conjunto, como uma União.
    • Só mesmos os britânicos são a favor do Brexit. São as massas populares. "Pobres e sem instrução". Que nunca perceberam para que paga o Reino Unido 360 milhões de euros (R$ 1,36 bilhões) por semana para ser membro da UE, mas recebe em vez disso turbas de migrantes ilegais.

    A elite europeia precisa de um resultado 'correto' do referendo e tudo foi feito, o possível e o impossível, para atingir este resultado.

    Mais tarde, quando tudo isso não deu certo, aconteceu uma coincidência espantosa. Na semana anterior à votação, em pleno dia, uma deputada serena e simpática, e membro da campanha contra o Brexit, foi assassinada por um cidadão doido, que gritou: "Bretanha em primeiro lugar, morte aos traidores!" A mulher se tornou um ícone dos euro-optimistas, que usaram este acontecimento para tapar a boca aos eurocéticos… Mas isto também não teve efeito.

    Em seguida, o autor passa a outro tema – será possível realizar o Brexit?

    Primeiro, deve ser dito que no Reino Unido os referendos não têm caráter obrigatório, mas de recomendação. O governo pode ignorar seus resultados. Não é um fato que a vitória dos eurocéticos com uma vantagem de 2% seja bastante persuasiva.

    Mas, mesmo quando a vitória for reconhecida, a elite britânica tem 'espaço para retirar', escreve o autor:

    Primeiro, é possível simular o cálculo do referendo, começando negociações duradouras sobre este tema com a UE e prorrogando a decisão por 10 ou mais anos.

    Segundo, a elite pode refirmar os acordos com a UE que lhe sejam particularmente favoráveis e chamar a isto, não uma participação na União, mas uma cooperação profunda.

    Também é possível que a elite reúna estas duas aproximações, declarando que foi terminado o processo de alteração do formato de cooperação com Europa Continental e agora tudo se tornará magnífico.

    O autor disse que estas ideias não foram inventadas por ele. São as variantes para o caso de fracasso, que já faz tempo foram manifestadas na mídia de negócios da Grã-Bretanha.

    …Mas, apesar de tudo, o que acontecerá se o Reino Unido sair da EU de verdade? Com seus 12-13% da população europeia, com a metade do Exército europeu e um quinto do PIB europeu?

    O referendo de ontem pode se tornar em início, não só do "declínio da UE", mas também de uma nova época mundial, quando as regras impostas pelos poderosos deste mundo deixam de funcionar, escreveu o autor. Mas ainda teremos de ver isso. Agora as elites sofrem vários problemas, mas isto não é uma catástrofe.

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    assassinato, economia, especialista, opinião, Brexit, Jo Cox, Grã-Bretanha, União Europeia
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