11:06 21 Agosto 2017
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    USS John C. Stennis (CVN-74), um super-porta-aviões de propulsão nuclear norte-americano da classe Nimitz

    Analista: 'EUA querem mostrar sua liderança ao mundo. Mas não dominam mais'

    © flickr.com/ U.S. Pacific Fleet
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    Pela primeira vez desde 2012, a Marinha dos EUA aumentou o número de porta-aviões mobilizados em simultâneo para seis unidades, diz o relatório da agência Defense News, citando fontes das forças navais estadunidenses.

    No total os EUA têm dez porta-aviões disponíveis.

    ​O especialista em assuntos internacionais e professor adjunto da Escola Superior da Economia da Rússia Dmitry Ofitserov-Belsky, durante uma entrevista à Radio Sputnik, expressou sua opinião que através destas ações os EUA demonstram seu poder, mas não somente aos adversários.

    "É uma demonstração de força também para os seus aliados. A coisa é que a frota de porta-aviões é apenas uma arma de demonstração de força. Ou seja, você pode ser uma grande potência militar, mas ter a possibilidade de lutar apenas no seu território ou com os vizinhos próximos. Os Estados Unidos, por meio destas ações, querem mostrar que eles estão prontos para lutar longe das suas fronteiras. Isso tem dois aspetos importantes. Em primeiro lugar, eles mostram aos seus aliados europeus que são capazes de combater longe das suas fronteiras e que têm todos os recursos necessários porque, por um lado, gradualmente começam surgir dúvidas sobre a força dos EUA. Por outro lado, a China está agora liderando na corrida armamentista com os seus vizinhos, tais como o Vietnã e as Filipinas no mar do Sul da China, e, de fato, as ações estadunidenses são uma demonstração de força perante a China ", afirmou o analista à rádio Sputnik.

    Segundo ele, o porta-aviões é uma arma importante, mas apenas no contexto da política americana.

    "No contexto da política americana são armas muito importantes. Mas devemos entender que os porta-aviões na guerra global são somente uma arma auxiliar, porque os bombardeiros estratégicos não decolam a partir dos porta-aviões", disse o especialista.

    De acordo com Ofitserov-Belsky, para os Estados Unidos é importante consolidar sua hegemonia pelo menos entre os aliados. No final das contas, no contexto atual os Estados Unidos não conseguem mais atuar como antes.

    "Assim, existem muitos especialistas que suspeitam que os americanos neste momento não tenham uma estratégia clara. Eu também pertenço a essa categoria. Eu acredito que na última década se tornou óbvio que os americanos não lideram mais na hegemonia global", concluiu ele.

    Segundo o diretor do Centro da conjuntura estratégica Ivan Konovalov, especialista militar e cientista em matérias políticas, a mobilização dos porta-aviões é uma demonstração de poder e a mensagem se destina primeiramente ao eleitor americano.

    "Normalmente de prevenção ficam muito menos porta-aviões. No entanto, se se considerar as regras existentes, seis porta-aviões não mudam o equilíbrio entre as potências, porque sua quantidade não representa nada de especial. Do ponto de vista político, aqui nós vemos uma mensagem clara ao público interno. As eleições serão em breve, o presidente Barack Obama e sua administração são acusados o tempo todo de fraqueza e de ausência do desejo de demonstrar a força. Agora, provavelmente, para apoiar o Partido Democrático, os porta-aviões são mobilizados, mostrando que estão prontos para exibir a força e proteger a bandeira americana", afirmou Ivan Konovalov à rádio Sputnik.

    USS John C. Stennis (CVN-74), um super-porta-aviões de propulsão nuclear norte-americano da classe Nimitz
    USS John C. Stennis (CVN-74), um super-porta-aviões de propulsão nuclear norte-americano da classe Nimitz

    Segundo ele, a mobilização dos porta-aviões estadunidenses não ameaça a segurança da Rússia.

    "Se falarmos teoricamente sobre o uso de porta-aviões contra a Rússia, gostaria de perguntar: onde os EUA estão pensando em usá-los? No Báltico ou no Mar Negro um porta-aviões não será capaz de entrar. No Mar do Norte fica a nossa frota mais poderosa. No Oceano Pacífico? Mas neste caso seria necessário passar pela cadeia das ilhas Curilas para entrar no mar de Okhotsk, porque o porta-aviões deve se aproximar à distância de alcance do alvo pelas aeronaves que transporta. Por isso, aqui também não tem nenhum perigo. Estes porta-aviões americanos são somete uma demonstração da força para os eleitores norte-americanos e um pretexto para que a mídia dos EUA possa especular que os Estados Unidos ainda estão liderando no mundo, o que na verdade não é assim", concluiu o especialista.

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    Tags:
    eleições presidenciais, força, demonstração, equilíbrio de poder, liderança, bombardeios, corrida armamentista, aliados, advertência, mobilização, potência militar, fronteiras, porta-aviões, Defense News, Marinha dos EUA, Barack Obama, Mar de Okhotsk, Ilhas Curilas, Mar do Norte, Oceano Pacífico, Mar Negro, Mar Báltico, Europa, Filipinas, Vietnã, China, Rússia, EUA
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