02:30 22 Agosto 2017
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    Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e presidente turco Recep Tayyip Erdogan

    Quanto a UE está disposta a pagar para que a Turquia execute as suas ordens?

    © AP Photo/ Tolga Bozoglu, Pool
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    O presidente turco Recep Tayyip Erdogan está se movendo na direção do poder absoluto com a "bênção" da Alemanha e da chanceler Angela Merkel, escreve o ex-embaixador da UE na Turquia e pesquisador convidado da Carnegie Europe Marc Pierini em um artigo para o Financial Times.

    O comportamento de Erdogan desde a sua vitória na eleição presidencial em 2014 mostra que ele queria se livrar do sistema de "restrições e contrapesos", típico da democracia ocidental, e ter liberdade total de ação. A situação é extraordinária, porque recentemente, ele estava indo à sua metade com o consentimento da Alemanha, diz o artigo.

    Depois da vitória não muito convincente do Partido da Justiça e Desenvolvimento nas eleições antecipadas em 2015, foi Berlim a apoiar Erdogan e os seus companheiros. Tentando conter o fluxo dos imigrantes, a chanceler da Alemanha, prometeu às autoridades turcas grandes privilégios se eles mantiverem os refugiados. Por causa das visitas frequentes de Merkel à Turquia durante dos últimos seis meses os cidadãos acreditam que ela "votou a favor de Erdogan", escreve Marc Pierini.

    E a chanceler mesmo fez isso — não com uma promessa de bônus para a Turquia, mas permitindo a Erdogan a ignorar a lei e a liberdade de expressão e de opinião, que é essencial para a adesão à UE. Deixando o presidente turco a ameaçar impunemente Europa com o fluxo imigratório ainda maior, Merkel criou a impressão de que ele era um parceiro politico desejável, que possa negligenciar os princípios básicos da UE, observa o autor.

    Segundo o artigo, após a recente demissão de Ahmet Davutoglu do cargo de primeiro-ministro da Turquia "ocorreu uma divisão de águas política": Erdogan ainda mais se aproximou do poder absoluto. Davutoglu não tinha medo de expressar a discrepância com o presidente em relação às questões de luta contra o terrorismo, a colisão com os curdos e a liberdade de imprensa. Agora, o cargo de chefe de governo será ocupado por "aliado" do presidente — pelo ministro dos Transportes Binali Yildirim, que fortalecerá a influencia de Erdogan, diz o artigo.

    De maneira formal a União Europeia não pode afetar a política de Erdogan e às suas ambições — ele e o parlamento são eleitos legalmente. Agora a questão principal é quanto a UE está disposta a pagar para que a Turquia continue restringindo os refugiados, escreve Marc Pierini.

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    Tags:
    fluxo de refugiados, adesão, União Europeia, Recep Tayyip Erdogan, Angela Merkel, Turquia, Alemanha
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