00:14 22 Julho 2019
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    OTAN está se aproximando das fronteiras da Rússia e ainda a considera como agressora?

    © Sputnik / Igor Zarembo
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    O ultra-conservador americano Pat Buchanan critica as ações da OTAN, que está cada dia mais próxima das fronteiras da Rússia. Ao mesmo tempo, a aliança fala da agressividade da Rússia.

    Em um recente artigo, Pat Buchanan propõe, ao invés de proclamar a beligerância de Putin, imaginar como é "dar passos com os sapatos do presidente russo", ou seja, se colocar no lugar dele.

    Pat Buchanan é um colunista, comentarista e escritor americano, ele exerceu o cargo de Chefe de Comunicações da Casa Branca durante a presidência de Reagan.

    Navios militares da OTAN participam dos exércicios no mar Negro, 16 de março de 2016
    © AFP 2019 / DANIEL MIHAILESCU
    No seu último artigo publicado no site The National Conservative, o autor cita o vice-ministro da Defesa dos EUA Robert Work, que anunciou recentemente o envio de 4 mil homens para a região do Báltico no âmbito do reforço da presença militar da aliança na Europa Oriental. Esta medida é, segundo a OTAN, uma resposta às ações "extraordinariamente provocatórias" da Rússia.

    Mas o comentarista nota que a maioria dos cidadãos dos países da OTAN, inclusive a Alemanha e França, estão contra a escalada de hostilidades com a Rússia. "Se começar uma guerra no Báltico, os nossos aliados europeus preferem que nós, americanos, combatamos", escreve Pat Buchanan.

    Como é ser Vladimir Putin?

    Para realizar o seu hipotético experimento, a que chamou "Uma milha com os sapatos de Putin", o autor propõe ver o mundo através dos olhos do líder russo.

    "Quando Ronald Reagan se reuniu com Mikhail Gorbachev, em Reiquiavique em 1986, Putin tinha por volta de 30 anos e o Império Soviético se estendia desde o Elba até o Estreito de Bering e do Ártico até ao Afeganistão. Os russos estavam por toda a África e tinham penetrado no Caribe e na América Central. A União Soviética era uma superpotência mundial, que tinha atingido a paridade estratégica com os Estados Unidos."

    Soldados da OTAN
    © AP Photo / Mindaugas Kulbis
    "Agora," escreve o analista, "pense como o mundo mudou para Putin e para a Rússia. Até o momento de ele ter 40 anos, o Exército Vermelho tinha começado a sua retirada da Europa e o seu país se tinha subdivido em 15 nações. No momento em que ele chegou ao poder," a Rússia, o país sucessor da União Soviética, "tinha perdido um terço do seu território e metade da sua população. O Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, a Geórgia, a Arménia e o Azerbaijão", entre outros, deixaram a URSS.

    Presidente dos EUA Barack Obama
    © flickr.com / The White House
    O Mar Negro, depois do fim União Soviética, agora tinha o seu litoral na parte ocidental da Ucrânia e na parte oriental na Geórgia. No seu litoral ocidental estavam dois ex-aliados do Pacto de Varsóvia, a Bulgária e a Roménia, que foram tomados pela OTAN.

    "Para os navios de guerra russos em Leningrado, a viagem para o Atlântico significa o cruzamento do litoral de oito países da OTAN: a Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Alemanha, Dinamarca, Noruega e Grã-Bretanha."

    Além disso, "apesar das garantias solenes dos EUA dadas a Gorbachev," Putin viu a OTAN incorporar quase toda a Europa Oriental. E agora, os Estados Unidos tentam levar mais três ex-repúblicas Soviéticas — Moldávia, Geórgia e Ucrânia — para a NATO.

    Na Ucrânia, continua Buchanan, Putin viu o governo pró-russo cair depois de um golpe apoiado pelos EUA.

    O comandante da OTAN, Philip Breedlove, disse anteriormente ao Wall Street Journal que "a Rússia não aceitou a mão de parceria, mas escolheu um caminho de beligerância."

    "Se a situação fosse inversa, fosse um avião russo a patrulhar Pensacola, Norfolk ou San Diego, como os nossos pilotos dos F-16 reagiriam? Se nós acordássemos e encontrássemos o México, Canadá, Cuba e a maioria da América do Sul em uma aliança militar contra nós, acolhendo bases russas e tropas, será que encararíamos isso como uma 'mão de parceria'?, pergunta autor.

    Em última análise, nota Pat Buchanan, os EUA estão "colhendo a raiva compreensível e o ressentimento do povo russo em relação à forma como nós explorámos a retirada de Moscovo do seu império. Será que não fomos nós que afastámos a mão da amizade russa, quando ela nos foi oferecida, quando escolhemos abraçar o nosso "momento unipolar', para jogar o ‘grande jogo' do império e buscar ‘uma benevolente hegemonia global"? Se estamos numa segunda Guerra Fria, teria sido realmente a Rússia que a começou?

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    Tags:
    ameaça russa, aliança, opinião, ameaça militar, OTAN, Vladimir Putin, EUA, Rússia
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