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    Abin confirma ameaça de atentados do Daesh na Olimpíada

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    Rio 2016 (253)
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    A Agência Brasileira de Inteligência confirmou como verídicas as ameaças feitas pelos extremistas do Daesh de realizarem atentados no Brasil durante as Olimpíadas e Paralimpíadas, em agosto e setembro. Os avisos foram feitos em uma conta no Twitter por um dos líderes do grupo, o francês Maxime Hauchard, apelidado de Carrasco.

    A mensagem foi publicada em novembro, uma semana após os atentados que deixaram 129 mortos e dezenas de feridos na França, mas só foi divulgada agora pelas autoridades brasileiras.

    “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse país de m…”, diz a mensagem.

    Procurada pela Sputnik, a Abin confirmou as ameaças, mas informou que não poderia comentar o assunto.

    Militantes do Daesh (Estado Islâmico) em comboio rumo ao Iraque
    © AP Photo/ Militant website via AP, File

    Ao participar esta semana da LAAD Security – Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, realizada no Riocentro, no Rio, o diretor de Contraterrorismo da Abin, Luiz Sallaberry, disse que a probabilidade de o país ser alvo de ataques terroristas foi elevada nos últimos meses devido aos recentes eventos ocorridos em outros países e ao aumento do número de adesões de brasileiros à ideologia do Daesh.

    “A partir do momento da postagem, houve maior intensidade nos discursos de agressividade dos autoproclamados seguidores deste grupo terrorista no Brasil”, disse Sallaberry.

    O diretor da Abin lembrou que Hauchard, autor das ameaças, é uma espécie de garoto-propaganda do grupo. Nascido em um vilarejo no interior da França, ele deixou o país aos 18 anos e partiu para a Síria, onde logo subiu na hierarquia do Daesh. Hoje, ele é o segundo na linha de comando do esquadrão de decapitadores e diz que estar no grupo “é como estar no Paraíso”.

    O diretor da Squadra – Gestão de Riscos e Segurança Estratégica, Gustavo Caleffi, diz que a ameaça do Daesh não é novidade.

    Militantes do Daesh
    © AP Photo/ AP Photo via militant website, File

    “O Brasil achou por muito tempo que isso não chegaria à nossa realidade, embora o país tenha células reconhecidas há muito tempo, principalmente na chamada Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). São células terroristas que se valem desse ambiente e que muitas vezes são as financiadoras de muitos ataques no mundo. Diversas agências de inteligência têm essa informação e mantêm constantemente operações na região para identificar situações que configuram o Brasil como um dos próximos e possíveis locais a serem atacados.”

    Gustavo Caleffi observa que países com problemas de terrorismo, como Israel, Espanha e outros que aprenderam a combater esses ataques, identificaram que o problema se combate na origem.

    “Temos hoje cidadãos, pessoas que sabem conviver com o terrorismo e estão sempre alertas. A grande questão que vejo no Brasil é que nós, por escondermos isso por muitos anos, nossa sociedade não faz ideia do que seja terrorismo. Ela não sabe como se comporta um terrorista, e acredita que não teria motivos para isso acontecer no Brasil. As maiores informações que as agências têm hoje em países onde existe o risco iminente vêm da própria sociedade.”

    O especialista da Squadra diz que as ameaças de ataque preocupam, porque vêm dos chamados ‘lobos solitários’, formações de uma, duas pessoas ou um pequeno núcleo que não têm comunicações com outros grupos e que fazem ataques com a ideologia da Jihad.

    “Vamos ter Olimpíadas, sim, mas já tivemos casos [de ataques] em outras Olimpíadas. O terrorismo não se soluciona com simples estrutura ofensiva. Não adianta ter Exército e polícia na rua para prevenir ataques terroristas. Temos que ter inteligência e saber de onde pode surgir isso, quem são as pessoas ligadas a que grupos. A Abin está fazendo o acompanhamento, mas o Brasil ainda carece muito porque isso demanda a integração de informações de diversas agências no Brasil.”

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    Rio 2016 (253)

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    terrorismo islâmico, Olimpíadas, Rio 2016, grupo jihadista, esportes, jihad, segurança, Daesh, Abin, Paraguai, Israel, Espanha, França, Argentina, Brasil
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