19:21 15 Dezembro 2017
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    O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fala à imprensa no Congresso Nacional, sobre o encontro com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

    Opinião: Eduardo Cunha e Panama Papers – ‘Nada mais surpreende’

    Valter Campanato/ Agência Brasil
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    O nome do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ao lado de dezenas de autoridades e empresários brasileiros, é um dos que estão incluídos na lista dos Panama Papers, que relaciona pessoas com participação em empresas offshore.

    Pelo menos 57 brasileiros já relacionados na investigação aberta pela Polícia Federal estariam ligados a mais de 100 dessas empresas criadas em paraísos fiscais. Da lista constam o usineiro e ex-Deputado Federal João Lyra (PTB-AL) e o ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA).

    A 22.ª fase da Operação Lava Jato, que apura desvios de recursos e casos de corrupção na Petrobras, já tinha investigado as atuações do escritório panamenho de advocacia Mossack & Fonseca, especializado na abertura de empresas em paraísos fiscais. Segundo as investigações, duas dessas offshore foram abertas pela Mossack em nome de Luiz Eduardo da Rocha Soares e Olivio Rodrigues Dutra, suspeitos de operar contas secretas da Odebrecht.

    A assessoria do presidente da Câmara divulgou nota oficial em que nega que Cunha seja proprietário de qualquer offshore no exterior. “O Presidente Eduardo Cunha desmente, com veemência, essas informações e desafia qualquer um a provar que tem relação com companhia offshore”, diz a nota.

    A citação do nome de Cunha na lista agrava as acusações ao presidente da Câmara, que responde a 22 processos e a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. Entre os processos estão manobras no Conselho de Ética, acusação de recebimento de pagamento de US$ 5 milhões por favorecimento na construção de um navio-sonda para a Petrobras e manutenção de recursos em uma conta secreta na Suíça, no valor de US$ 2,4 milhões. Por várias vezes, Cunha também desmentiu essas denúncias.

    O cientista político e pesquisador do Instituto Atlântico, Augusto Cattoni, diz que as novas acusações “não representam muito sobre o personagem Eduardo Cunha, porque já escutamos tantas sobre o presidente da Câmara que esta não surpreende. Ando ouvindo tantas coisas aqui no Brasil sobre políticos, empresários e funcionários de estatais, desvios de quantias bem mais altas que essa, que já ficou banal escutar isso”.

    Para Cattoni, o acúmulo de notícias que chegam já não mais surpreende.

    “O grande problema do Brasil é que, se você tira um, o que vem depois é tão ruim quanto. Isso no final, quando a gente tiver superado todo esse processo, vai ser bom para o Brasil, vai expurgar os males. É um sinal de alerta como um tijolo que está caindo na cabeça dos brasileiros”, finaliza Cattoni.

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    Panama Papers, Operação Lava Jato, Instituto Atlântico, Stingdale Holdings Inc, Mossack Fonseca, Odebrecht, Polícia Federal, STF, Petrobras, Olívio Dutra, Luiz Eduardo da Rocha Soares, João Lyra, Edison Lobão, Augusto Cattoni, Eduardo Cunha, Brasil
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