04:33 19 Novembro 2017
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    Dilma Rousseff e Luís Inácio Lula da Silva durante encontro da cúpula do PT em São Paulo
    © AP Photo/ Andre Penner

    Opinião: ‘Lula no Ministério é bom para o Governo e é bom para o Brasil’

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    Deverá ocorrer amanhã, 16, o anúncio oficial de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assumir um superministério no Governo Dilma Rousseff. Foi o que revelou à Sputnik Brasil o Deputado Federal Paulo Pimenta, um dos mais destacados membros do PT, com amplo trânsito no Palácio do Planalto.

    Os jornais desta terça-feira, 15, os noticiosos de rádio e televisão e inúmeros blogs de informação política deram amplo destaque à possibilidade de Lula ser anunciado ministro ainda neste dia. Porém, no decorrer da tarde os planos foram modificados e a informação oficial adiada.

    Para o Deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o fato de Lula integrar o Governo Dilma só fará engrandecê-lo: “O Presidente Lula tem uma liderança natural, um grande poder de comunicação e um amplo conhecimento dos problemas de Estado, além de merecer o respeito da comunidade internacional.”

    Paulo Pimenta diz ainda que não há qualquer fundamento nas ilações de que a Presidenta Dilma Rousseff está convidando Luiz Inácio Lula da Silva para que um eventual processo contra o ex-presidente seja apreciado pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que, com a nomeação, ele adquirirá foro privilegiado: “O Presidente Lula jamais se negou a colaborar com a Justiça e com quaisquer investigações que estejam relacionadas a ele. Portanto, não procede esta história de proteção especial para Lula.”

    Sputnik: A quem interessa mais a presença de Lula no Ministério de Dilma – ao ex-presidente ou à presidente atual?

    PP: Eu entendo que a possibilidade de o Presidente Lula vir para o Governo é boa para o Governo e é boa para o Brasil. O Presidente Lula é uma pessoa que tem condições de ajudar muito nesse momento, ajudar a Presidenta Dilma, ajudar a restabelecer relações com a base social que ajudou a eleger a nossa presidente, mas é também alguém que tem condições de restabelecer relações de confiança necessárias, nesse momento, com setores produtivos, com investidores, com as relações internacionais que o Brasil tem e que sabem que a presença de Lula fortalece o Governo, consolida o projeto de Governo. E neste momento tão necessário para a estabilidade econômica, para a estabilidade política, sem dúvida alguma a vinda dele para o Governo fará muito bem para todos.

    O Presidente Lula não tem nenhuma necessidade [do cargo]. Se ele aceitar, aceitará como uma missão. Ele tem consciência da sua responsabilidade histórica, do seu papel, e sabe que o mundo vive uma crise econômica aguda, difícil, que essa crise tem atingido de maneira muito intensa a realidade nacional. Ele tem a possibilidade de, com a sua presença, reforçar as políticas necessárias de enfrentamento dessa crise, tanto política quanto econômica.

    S: A aceitação do Ministério poderia significar uma admissão de culpa, por Lula, das acusações que tem sofrido, já que a condição de ministro o livraria da Justiça comum e levaria as questões contra ele ao STF?

    PP: As supostas ilações que são feitas – de que o Lula iria para o Ministério para não ser investigado – são absolutamente falsas à medida que todos sabem que o Supremo Tribunal Federal tem sido muito mais rigoroso nas investigações que realiza. Foi assim com ex-ministros e com dirigentes do Partido dos Trabalhadores. Se eventualmente tiver que ser investigado por alguma coisa, nunca foi do seu perfil fugir da responsabilidade. Nós entendemos que é algo muito maior, pelo seu significado, pela sua repercussão e pela sua importância, e estamos bastante motivados e confiantes de que ele, nas próximas horas, possa atender o convite da presidente.

    O Presidente Lula sempre esteve à disposição das autoridades. Nós achamos que há uma condução seletiva, por parte de setores do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, com a retaguarda que recebem da grande imprensa do país, dos interesses do capital internacional, que está por trás também de boa parte dessa questão, dessa polêmica. Mas de maneira nenhuma [é admissão de culpa], até porque a legislação brasileira não veda que alguém seja investigado em função do alto cargo que esteja exercendo, é só uma definição de competência.

    Reduzir a isso a possibilidade do Lula vir para o Governo é não entender a dimensão, o alcance e a importância política que esse gesto tem para o Brasil, para sua política e fundamentalmente para a sua economia.

    S: Uma vez aceito o Ministério, isso poderá significar uma guinada na tendência atual do Governo, em prejuízo da reforma fiscal e em benefício de políticas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento?

    PP: Eu acho natural que a presença de Lula no Governo restabeleça uma confiança maior por parte também do capital produtivo, dos investidores, e que isso faça que o Governo possa também apostar numa retomada mais intensa da atividade econômica como maneira de enfrentar a crise, gerando emprego, gerando mais arrecadação. É um conjunto de fatores que se inter-relacionam, e certamente quando se faz um movimento político dessa natureza as repercussões vão muito além do que simplesmente a nomeação de Lula.

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    Tags:
    movimentos sociais, capitalismo, programas sociais, poder, crise econômica, investimentos, economia, Ministério Público Federal, Polícia Federal, STF, PT, Paulo Pimenta, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Dilma Rousseff, Brasília, Brasil
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