21:47 15 Julho 2020
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    Argentina vai se endividar mais para atender aos fundos abutres

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    A Argentina deu mais um passo para acordo com os fundos abutres, oferecendo um desembolso inicial de US$ 450 milhões para cinco dessas instituições, e acenou com a possibilidade de emissão de bônus no valor de US$ 15 bilhões para fazer face à elevação da dívida, que chegaria a US$ 20 bilhões, segundo o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay.

    O ministro adiantou que, uma vez recebido o sinal verde, a intenção é realizar uma única operação. Analistas alertam, porém, que, mesmo bem-sucedida, a operação no mercado internacional deixaria o país com baixas reservas internacionais. Segundo projeções do mercado, o estoque em moeda estrangeira no Banco Central estaria hoje em US$ 27 bilhões.

    Uma das exigências para novo acordo com os fundos abutres seria a derrubada no Congresso da Lei de Pagamentos Soberanos, proposta e aprovada em 2014 durante o Governo de Cristina Kirchner, que propunha pagamentos escalonados a esses detentores da dívida. Para cumprir essa exigência, um bloco de deputados governistas já anunciou que vai se mobilizar para, na volta do ano legislativo, em março, derrubar a lei.

    Alguns especialistas, contudo, se mostram mais otimistas em relação à possibilidade de acordo entre o país e os fundos abutres. O professor do Ibmec-RJ, Leonardo Paz Neves, é um dos confiantes.

    “O cenário nunca deixou de ser preocupante, desde o período de Kirchner [Cristina], quando a Argentina praticamente enfrentou uma nova moratória em função da renegociação com esses fundos abutres. O ponto é um pouco menos preocupante, porque estamos percebendo que a nova gestão de Mauricio Macri tem atraído mais a atenção externa dos investidores e deu um ânimo diferenciado com os credores.”

    Segundo Neves, o problema é que a solução proposta vai praticamente empatar com o que o país tem de reservas.

    “O importante, porém, é a capacidade de atrair novos investimentos para fazer com que a Argentina tenha dólares para poder cobrir um pouco esses novos custos e emitir títulos que sejam mais atrativos com juros ‘menos piores’. Na medida em que você tem um interlocutor que você imagina estar mais aberto a ouvir suas demandas, isso faz com que outros credores cedam em algumas questões, para que você tenha mais abertura no mercado internacional de crédito.”

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    fundos abutres, dívida, economia, Leonardo Paz Neves, Argentina
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