15:07 24 Setembro 2021
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    ONG elogia defesa do Papa sobre uso de contraceptivos para evitar a microcefalia

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    Zika Vírus: Alerta global (77)
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    A defesa feita nesta quinta-feira, 18, pelo Papa Francisco, do uso de contraceptivos para evitar a geração de fetos microcefálicos repercutiu com força em todo o mundo. Em conversa com jornalistas durante o voo do México para o Vaticano, o Papa considerou o uso como “um mal menor”, mas criticou o aborto de fetos com microcefalia.

    "O aborto não é um problema ideológico, é um problema humano, um problema médico; é matar uma pessoa para salvar outra, no melhor dos casos, ou para deixá-la bem. É um mal em si mesmo", declarou o Pontífice, lembrando que anos atrás o Papa Paulo VI chegou a permitir o uso de anticoncepcionais por freiras vítimas de violência sexual na África.

    No início do mês, a ONU protagonizou uma grande polêmica mundial, quando o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Zeid Al Hussein, pediu aos Governos de todo o mundo a revogação de leis que limitassem o acesso a serviços de saúde sexual, reprodutiva e ao aborto, para enfrentar a expansão dos casos do zika vírus.

    No Brasil, as declarações do Papa Francisco foram bem recebidas por diversas organizações não governamentais feministas. Em Recife, a coordenadora do SOS Corpo Feminista para a Democracia, Sílvia Camurça, elogiou a defesa feita pelo Papa sobre o uso de contraceptivos para evitar os efeitos do zika vírus.

    "Vejo a declaração com certo alento, pois, enfim, surge uma posição favorável ao direito de evitar filhos”, disse Sílvia Camurça. “Para o feminismo, as mulheres controlarem o número de filhos que querem ter é uma conquista que significa autonomia e o reconhecimento das mulheres como sujeitos com projetos de vida e não apenas como um tubo por onde saem crianças a serviço da humanidade. A declaração ainda é muito restrita, porque considera 'um mal menor', quando o mais adequado seria um considerar 'um bem' de obrigar as mulheres a terem quantos filhos vierem.”

    Segundo Sílvia, os setores mais conservadores da sociedade brasileira não vão gostar nem um pouco do posicionamento do Papa, que traz um novo enfoque à questão.

    “Há setores muito conservadores no cristianismo que têm reclamado bastante das posições deste novo Papa, mas também é compreensível o limite. Ele [o Papa Francisco] está dentro de uma instituição que há muitos anos vem tomando posições muito duras em relação ao direito das mulheres nas áreas da sexualidade e da reprodução. Ao mesmo tempo nos alegra [a declaração] de ele considerar os métodos contraceptivos."

    Sílvia Camurça não acredita que o Nordeste – região brasileira com maior incidência de casos de microcefalia e contaminação pelo zika vírus – vá concentrar as maiores resistências às declarações do Papa Francisco.

    "Os setores conservadores infelizmente estão muito bem distribuídos no país e com bastante acesso à mídia independente local. As resistências que vierem se expressarão conforme as estratégias que eles adotarem. Não vai implicar o fato de ser no Nordeste ou não. As mulheres que desejam não engravidar ou que estão com gravidez indesejada se sentem aliviadas quando uma liderança da sua religião é mais solidária com sua situação e seu drama. Isso repercute bem."

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Zika Vírus: Alerta global (77)
    Tags:
    Brasil, Papa Francisco, Ra'ad Zeid Al Hussein, Papa Paulo VI, Sílvia Camurça, ONU, zika
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