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    Questão do petróleo: São os interesses de cada país produtor que vão prevalecer

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    Os últimos dias de janeiro de 2016 foram marcados pela proposta da Rússia à OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo para uma possível redução de 5% na produção mundial de petróleo, com vistas à desejada elevação dos preços do barril do combustível.

    No início desta semana, o Banco Goldman Sachs divulgou relatório afirmando que considera “bastante improvável” a concretização desta proposta. Para a instituição, um acordo desta natureza implicaria em consenso entre todos os produtores mundiais do petróleo, dentro e fora da OPEP, hipótese que, para o Banco Mundial, é praticamente inviável com a volta do Irã ao comércio internacional após o fim do embargo econômico imposto ao país.

    David Zylbersztajn, primeiro diretor da ANP – Agência Nacional do Petróleo e professor do Instituto de Energia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, também está convencido de que a tese da redução da produção mundial de petróleo não prosperará. Em entrevista à Sputnik Brasil, ele afirmou que “os interesses de cada país produtor de petróleo vão acabar prevalecendo neste momento complexo da vida econômica mundial”.

    David Zylbersztajn disse ainda que “em curto e médio prazos” não vê possibilidade de os preços do barril de petróleo se recuperarem e chegarem sequer aos 50 dólares. Segundo o especialista, esta é a cifra máxima que o barril poderá atingir. 

    Sobre as oscilações do sobe e desce dos preços do petróleo, Zylbersztajn afirma que na realidade estamos vendo uma tendência.

    “Assim como o petróleo subiu lentamente e ficou num patamar bastante alto, ele teve uma queda – claro, foi uma queda rápida –, mas ele não oscilou de subir muito ou descer muito. Ele teve uma progressão muito uniforme ao longo do tempo. Ou seja, assim como subiu e ficou estável, agora caiu rapidamente, No período de um ano, caiu bastante, pelo menos 1/3, ou menos até, do que tinha como valor no passado. Mas o que vemos agora é uma situação de estabilidade, num primeiro momento em torno de US$ 30, e possivelmente dentro de pouco tempo para um pouco mais. Acho muito pouco plausível a hipótese de ele voltar aos patamares anteriores ou mesmo próximo a eles. Eu diria que esse barril não estará muito longe de alguma coisa em torno de US$ 50, US$ 60, no médio e no longo prazo, se chegar até lá. A não ser que tenhamos uma ruptura qualquer em termos geopolíticos, um problema maior no Oriente Médio que impeça o fluxo normal de petróleo. Mas acho que vamos chegar a um patamar um pouco acima do que temos hoje.”

    A respeito da proposta da Rússia à OPEP, David Zylbersztajn lembra que “a OPEP foi muito forte, virou um mito, principalmente nos anos 1970 até o início dos anos 1980, porque com o petróleo lá em cima, num primeiro momento, existia um cartel efetivo com uma disciplina entre seus membros, e naquela época a OPEP detinha mais de 2/3 da produção mundial de petróleo, Hoje ela detém 1/3 ou um pouco menos, e, se tirar a Arábia Saudita, muito menos ainda. E não existe disciplina interna entre os membros da OPEP”.

    “Eu não acredito em acordo. Pode-se até fazer alguma reunião, tomar-se alguma decisão no papel, mas na prática isso não ocorre. O que vai prevalecer são os interesses dos países, em termos específicos ou segundo as divisas de que precisem. Eu duvido, por exemplo, que a Venezuela diminua sua produção. Ela está à beira do colapso e se diminuir a produção só vai antecipar o que se imagina que vai acontecer.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    petróleo, Goldman Sachs, ANP, OPEP, David Zylbersztajn