01:35 28 Janeiro 2021
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    Opinião: acolhimento do processo de impeachment é ´golpismo` e ´revanchismo`

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    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
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    Após o acolhimento do pedido de impeachment por parte do presidente da câmara, Eduardo Cunha, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que recebeu com indignação a decisão de abertura de processo contra ela. Ela lembrou que seu mandato foi conferido democraticamente pelas urnas.

    Em entrevista exclusiva à Rádio Sputnik Brasil, a deputada federal do PT (RS) e ex-Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, classificou a atitude de Cunha como golpista. 

    “Atitude golpista, sem ética. Ele mesmo é questionado em suas iniciativas como parlamentar. Todo seu mandato tem sido marcado por ataques ao governo democrático”.

    Segundo a deputada, Eduardo Cunha “tem agido em conluio com os tucanos e com a oposição para desestabilizar o ambiente político e constituir o agravamento da crise econômica e da crise ética no país. Ele é uma pessoa marcada em seus atos por diversos questionamentos e imputações de responsabilidades associadas à corrupção”.

    Segundo Maria do Rosário, o acolhimento do processo de impeachment foi uma resposta à recusa do PT em participar do acobertamento do atual presidente da câmara no Conselho de Ética.

    “Ele tentou que o PT participasse de um processo de acobertamento das suas responsabilidades. Nós não aceitamos isso como partido. Não nós associamos a ele. E a resposta vil e covarde que tivemos foi o uso deste poder, que ele ainda tem como presidente [da Câmara], mesmo sendo algo imoral para o exercício da função, para abrir este processo de impeachment”. 

    “Vamos ficar mobilizados. Não aceitamos isso. Consideramos isso um golpe”. 

    Segundo Maria do Rosário, é preciso demonstrar para a sociedade civil que está em questão uma disputa entre uma lógica do mercado, promovida pelos interesses pessoais de Eduardo Cunha, e políticos como Aécio Neves, e uma lógica de estabilidade, atenta às necessidades da sociedade. 

    Segundo a deputada, se há alguns meses o Eduardo Cunha rompeu com o PT, os seus atos desta semana significaram um rompimento com os valores das instituições e da democracia. 

    “Ele só deu prosseguimento a esse processo contra a Presidenta Dilma com base em seus interesses pessoais. O interesse de pressionar a Câmara dos Deputados e de se livrar daquelas responsabilidades que ele tem de assumir”. 

    Segundo ela, Cunha, além dos próprios interesses, também está representando os interesses do PSDB, que perdeu as eleições e que estaria promovendo uma espécie de terceiro turno.

    “Estamos em plantão permanente, atentos a tudo que está acontecendo. Pedimos a nossa militância e a todos os democratas, patriotas, movimentos sociais, sindicatos, para apoiar a Dilma, derrotar Cunha, e fazer um governo popular e de esquerda, que só ela pode fazer nesse momento no Brasil”, concluiu Maria do Rosário.

    O deputado Paulo Fernando dos Santos, Paulão, do PT-AL, concordou com sua colega e classificou a medida de Cunha de revanchismo individualista e antidemocrata. Segundo Paulão, a articulação foi feita com respaldo de Aécio Neves do PSDB. 

    “Todas as estratégias de Eduardo Cunha na câmara são feitas em parceria com o Aécio Neves. Acredito até que não seja o PSDB todo. Mas foi revanchismo”.

    O deputado do PT questionou a procedência do próprio pedido de abertura de impeachment pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, bem como a alegada imparcialidade de Eduardo Cunha, que em sua opinião teria agido de modo dissimulado. 

    “É muita dissimulação. É muita cara de pau. Ele não tem neutralidade. E com todo respeito à história do ex-deputado e promotor Hélio Bicudo, que realizou importante trabalho na luta contra a ditadura, é preciso ressaltar que ele tem 93 anos de idade. Não é um preconceito em relação a idade, mas inclusive dois filhos dele foram contrários ao pedido. Só uma filha foi favorável. E o jurista Miguel Real Júnior, que é uma pessoa ligada ao tucanato de São Paulo, tem toda uma história de colaboração com o PSDB”.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Pedido de impeachment de Dilma Rousseff (132)
    Tags:
    entrevista, Câmara dos Deputados, PSDB, PT, Paulão, Maria do Rosário, Brasil
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